21 de outubro, 2004 - 17h57 GMT (14h57 Brasília)
O novo presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, afirmou que vai se responsabilizar pessoalmente por casos de direitos humanos e discriminação.
A medida busca acalmar parlamentares europeus que ameaçam vetar toda a nova equipe da Comissão Européia por causa de declarações consideradas ofensivas a gays e mulheres feitas por um de seus integrantes, o italiano Rocco Buttiglione.
O italiano, indicado como comissário de Justiça, não vai se encarregar desses assuntos, como seria sua função. Mesmo assim, parlamentares de esquerda continuam contrários a sua nomeação.
O italiano, um católico devoto com ligações com o Vaticano, disse lamentar ter feitos os comentários, há duas semanas.
Maioria
"Lamento profundamente as dificuldades e problemas que surgiram", escreveu em uma carta a Durão Barroso.
Buttiglione disse que considerava a homossexualidade um "pecado" e que o casamento existia "para permitir que a mulher tivesse filhos e gozasse da
proteção de um homem".
Ele teria declarado também que as mães solteras não seriam "boas pessoas".
Na carta, Buttiglione disse que pretende aceitar o posto, mas não se envolverá em situações em que perceba "conflito entre minha consciência e meu dever como comissário".
Alguns parlamentares europeus ameaçaram vetar a comissão de 25 membros por causa da polêmica quando votarem, na próxima quarta-feira. Eles não têm o poder de vetar nomeações individualmente.
Barroso disse estar "muito confiante" de que vai ter o apoio de uma maioria clara.