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28 de agosto, 2004 - 16h46 GMT (13h46 Brasília)

Israel nega espionagem nos EUA

O governo israelense negou de forma veemente alegações de que um analista sênior do Departamento da Defesa americano (Pentágono) tenha atuado como espião para Israel.

Um porta-voz do governo de Israel, em Jerusalém, disse à BBC que as acusações não procedem e que Israel não tem nenhuma necessidade de espionar os Estados Unidos.

Antes, um funcionário da Embaixada Israelense em Washington, David Siegel, havia dito que as alegações eram "completamente falsas e ultrajantes".

A afirmação ocorreu após o Pentágono ter anunciado que está investigando um funcionário que teria alegadamente passado informações secretas sobre a política americana para o Irã.

'Alto escalão'

A informação sobre a investigação foi, inicialmente, divulgada pela rede de TV americana CBS.

Na reportagem, a CBS afirmou que o analista tinha acesso aos dois mais altos funcionários do Pentágono abaixo de Donald Rumsfeld: Paul Wolfowitz e Douglas Feith.

O canal de TV afirmou ainda que o FBI acredita que o analista tenha espionado para Israel "de dentro do escritório do secretário da Defesa (Donald Rumsfeld)".

Childs lembra, no entanto, que esta não é a primeira vez que Israel é acusado de espionar o governo americano.

Em 1985, um ex-analista de inteligência da Marinha americana, Jonathan Pollard, foi condenado à prisão perpétua por espionagem.

Lobby

Desta vez, suposto espião teria entregado a Israel, no ano passado, o rascunho de um documento presidencial sobre a política americana para o Irã, segundo a CBS, que não revelou o nome das fontes.

"Isso coloca os israelenses - segundo uma de nossas fontes - 'dentro do processo de tomada de decisões' para que eles possam influenciar o resultado desse processo", disse a CBS.

Um funcionário do setor de segurança entrevistado pela agência de notícias Associated Press confirmou que a investigação está sendo feita, mas disse que ninguém foi preso até agora.

O funcionário anônimo também confirma uma alegação da reportagem da CBS que diz que o suposto espião teria passado informações ao grupo American Israel Public Affairs Committee, um grupo de lobby que defende os interesses de Israel.

Um porta-voz do grupo, Josh Block, disse que a acusação "não tem base nenhuma e é falsa".

Ele afirmou que o grupo "não iria perdoar ou tolerar nem por um segundo a violação das leis ou dos interesses americanos".