20 de junho, 2004 - 08h11 GMT (05h11 Brasília)
Alejandra Noguez
Cidade do México
O Ministro da Educação do México propôs um novo e polêmico plano curricular que pretende eliminar do ensino secundário vários símbolos da história tanto mexicana como universal.
Além disso, planeja incluir períodos atuais da história mexicana como a transição política de 2000, ano em que o atual presidente Vicente Fox foi eleito.
O projeto educativo, que está previsto entrar em vigor a partir de 2005, elimina do currículo temas como a pré-história, os gregos, os romanos, os judeus, assim como a Idade Média e, em relação à historia do México, deixa de fora do currículo escolar as civilizações pré-hispânicas.
O argumento é que o plano elimina vários fatos históricos, para dar maior ênfase a história entre o século XV e o ano 2000. Isto significa que o novo currículo abordaria dez anos a mais de história do que o vigente.
Profundidade
Durante a apresentação da Proposta Integral a Educação Secundária, o vice-ministro de Educação Básica e Normal, Lorenzo Gómez Morín, garantiu que sua proposta tem como objetivo “aprofundar mais com menor extensão”.
O argumento usado para explicar a escolha deste período histórico foi de que “permite conhecer os fundamentos da sociedade atual, e o que foi nos séculos XV e XVI, quando se incorporou o que hoje o México ao mundo moderno, e se conclui com a formação e consolidação do mundo contemporâneo e os desafios do século XXI”.
O vice-ministro, no entanto, disse que o projeto “não elimina” conteúdos, apenas os distribui em diferentes níveis antes do período secundário, como no primário e pré-escolar.
A proposta das autoridades mexicanas tem causado surpresa e indignação, pelo menos no mundo intelectual, acadêmico e artístico.
A escritora Elena Poniatowska considera como “um suicídio” a proposta. Na sua opinião, é como “se quisessem eliminar nossas raízes”.
O historiador mexicano Enrique Florescano qualifica o plano de “um crime, quase como se nos cortassem a cabeça”.
No México, segundo dados do Ministério da Educação, 16,8% dos jovens entre 12 e 15 anos de idade não completaram sequer a educação básica, deixando a escola antes de ter finalizado o período secundário, o que é obrigatório no país.