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Atualizado às: 18 de junho, 2004 - 12h21 GMT (09h21 Brasília)
 
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De repente, neste verão
 
Três dias seguidos com os termômetros acima dos 22 graus e eu começo a derreter, feito a Bruxa Má do Oeste, do “Mágico de Oz”.

Eu topo qualquer coisa entre os 30 e 40 graus contanto que haja um mar por perto. Passei verão após verão sem dar a mínima pelota para o que os termômetros, barômetros, tudo isso, acusassem. Nem ninguém ligava.

Cá entre nós, eu acho que, em jornal, ou rádio (estamos em eras pré-televisivas), nem se preocupavam em dar o tempo. No máximo, algum locutor ou locutora, com voz impostada, vinha e dizia que talvez chovesse, talvez não.

Era a única coisa que importava. Se você tivesse a sorte e a felicidade de morar na Zona Sul do Rio, pertinho do mar. Eu tive quase 25 anos de abrir a janela do quarto e dar de cara com ele, o Oceano Atlântico. Sempre nos entendemos.

O que havia era dia que dava praia e dia que não dava praia. Só. O resto era conversa. Literalmente conversa. Saindo da praia, era boteco, chope e papo. Suar era bom. Como em francês: bon soir. Essa a piadinha mil vezes repetida.

É preciso frisar que – e vou especificar – em Copacabana, desses anos a que me refiro, havia muito menos gente. Não chegava a ser uma vila, mas eram várias pequenas aldeias: a aldeia do Leme, do Lido, do posto 4, do 4 e meio, do posto 5, do posto 6 e… e depois era a dobrar o cabo da Boa Esperança da Francisco Otaviano e, descoberto o caminho asfaltado para Ipanema e Leblon, nesses bairros – nessas praias, melhor dizendo –, ir buscar suas especiarias.

Havia menos gente, eu disse. O calor humano, no entanto, em se tratando de Brasil e brasileiros, estava sempre presente. Às vezes – oquêi, vá lá que seja: o tempo todo – era um calor quase que insuportável, beirando o senegalesco, para ficar no lugar-comum a que estamos todos sujeitos, predicados e verbos.

Um calor que acabava em ou cena de jura de amor, no caso amizade eterna, ou em grossa pancadaria. O tempo esquentava, para ficar na linguagem propícia. Estão vendo esses torcedores (entre aspas) ingleses em Portugal? Segundo quase todos aqui, autoridades e comentaristas, é tudo alegria, alegria. Calor humano.

Não, não. Não podendo mais haver praia de Copacabana de 1948, para ficar num ano arbitrário (o Botafogo foi finalmente campeão!), e em se estando na
Londres de 2004, a solução é apenas uma: ventoinhas, como as chamam os portugueses. Ou seja, traduzindo para o brasileiro: ventiladores. Ar condicionado? Isso é coisa de americano, nem pensar.

 
 
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