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Atualizado às: 14 de junho, 2004 - 09h16 GMT (06h16 Brasília)
 
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Pendão febril
 
A febre do Euro 2004 vitima a Inglaterra. Sóbrio, acompanho. Jogo e febre.

Se seleção brasileira ou jogadores brasileiros estivessem presentes, eu pegaria, por solidariedade, um resfriado. Ou febre do feno, que a época é propícia.

No domingo, com o jogo contra a França, tivemos uma pequena idéia de até onde a febre pode chegar. Haja termômetro. Confesso que tentei uma febrezinha. Tudo em vão. Febre mesmo eu só pego em jogo que tenha ao menos um jogador com o nome terminando em “inho”.

E essa mania de dar nome completo aos – atenção para meu passadismo – players me deixa gelado. Patrick Vieira, David Beckham, Thierry Henri, Luís Figo, tudo isso é nome de político ou astro de telenovela. Jogador que é jogador se chama Kaká, Juninho ou Cafu.

Tomo agora a temperatura da cidade. Nunca vi tanta bandeira de São Jorge. Onde se possa imaginar. Tremulando nas antenas de carros particulares, caminhões e táxis. Na porta da casa das pessoas. Na cara das pessoas. Nos pubs onde as pessoas de caras pintadas de branco com uma cruz vermelha no meio vão assistir aos jogos da seleção inglesa. Em camisas, canecas, calções, cuecas e calcinhas.

A bandeira de São Jorge tornou-se, de repente, sem ninguém combinar nada, tornou-se, dizia eu, aquela palavrinha antipática que é “ubíqua”. Nem pensar em fugir dela.

Os jornalistas, sempre à procura de um assunto, já que as eleições locais e para o Parlamento europeu não despertaram o interesse de ninguém, começam a discutir a febre como se fosse uma doença fatal.

Apesar de todas as inovações sofridas nas últimas décadas, os ingleses continuam meio cabreiros no que diz respeito a qualquer coisa que lembre, mesmo de longe, o ultrapatriotismo, aquele nosso velho conhecido “ufanismo”.

Lembram que são os partidos de extrema-direita os que mais usam e abusam do lábaro cruzado. Citam o Dr. Johnson e sua famosa máxima de que o patriotismo é o último refúgio do canalha. Isso é saudável. Mas não deixa de ser sintoma de febre.

Continuará depois do jogo de estréia no domingo? Saberão eles – e devo contar e espalhar – que São Jorge, no sincretismo da umbanda, é Ogum e os ingleses, na verdade, são filhos do orixá feminino Iansã? E que por isso estão torcendo febrilmente, só que errado à beça?

 
 
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