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Atualizado às: 04 de junho, 2004 - 12h03 GMT (09h03 Brasília)
 
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O revertere do latim
 
Mea autem Brasiliae magnitudo. É latim. Sua tradução é simples: "A minha grandeza é também do Brasil". Você não vai encontrar a frase original nas costas da camisa de ninguém da seleção brasileira, nem mesmo entre os reservas.

No entanto, trata-se – ou tratava-se até os anos 80 – da divisa da cidade de Joinville, Santa Catarina, Brasil. Da mesma época, creio, data a cassação do latim de nosso currículo escolar.

Sempre achei uma pena, embora seja obrigado a confessar que quando eu era obrigado – e friso o obrigado – a estudar latim não ia além da cansativa decoreba dos casos e declinações.

Era amo, amas, amat pra cá, nominativo, vocativo e genitivo pra lá e tome rosa, rosae e eu não entendia em que isso, juntamente com química e álgebra, poderia me ser útil na vida. Burrice minha, claro.

Preferi culpar os professores de latim, sempre cobertos de giz, caspa e cinzas dos cigarrinhos mata-ratos que não paravam de fumar.

Quando cheguei à idade da razão, infelizmente já estava trabalhando em publicidade, como redator, vejam só, e sem um professor de latim nas cercanias, a não ser na revisão, que me explicasse enfim que o latim era útil para eu entender como funcionava nossa língua, o português do Brasil, ajudando-me em suas artes e artimanhas, auxiliando-me inclusive a melhorar meu triste texto para cosméticos, lojas de departamentos e mercearias.

Foi quando em minhas leituras, sempre primando pelo mais que razoável ecletismo, me deparei com um velho provérbio português que diz assim: "Com latim, rocim e florim, andarás mandarim", que, traduzido em português mais ou menos atual, quer dizer que com latim, bom cavalo e dinheiro a pessoa vai sempre estar por cima da carne seca.

É mais ou menos verdade.

Minha filha fez primário e formou-se em direito aqui na Grã-Bretanha. Lutou com o latim, que fazia parte de seu currículo. Depois, tolamente, tal como no Brasil, tiraram.

Agora, fico sabendo que andam considerando seriamente a hipótese do latim voltar ao currículo das escolas. Já li artigo elogiando a medida, explicando que a chamada "língua morta" não poderia ser mais viva em matéria de se ajudar a quem em inglês escreve e mesmo pensa.

O latim é uma espécie de raio X do inglês, disse alguém. Os brasileiros que se encantam tanto pelo idioma de Shakespeare e Beyoncé bem que poderiam, por uma vez na vida, ir nessa importação também. Bonum erat.

 
 
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