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Atualizado às: 28 de abril, 2004 - 14h03 GMT (11h03 Brasília)
 
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O exemplo do Turcomenistão
 
Ivan Lessa
Reino Unido, Brasil, novo Iraque, essa turma toda deveria prestar mais atenção no Turcomenistão – também conhecido pela alcunha de Turcomênia –, uma daquelas enredadas ex-repúblicas soviéticas que despontaram no céu estrelado das Nações Unidas depois da implosão do comunismo no Leste Europeu.

O Turcomenistão fica logo ali, a leste do Mar Cáspio e, apesar de pequenino, é riquíssimo em gás natural e petróleo, um fato que o coloca na boca da caçapa para forças libertadoras ocidentais tão chegadas a distribuir as benesses da democracia e conter, caso existam ou não, armas de destruição em massa ou seus servidores, os terroristas.

Enquanto “seu” Lobo liberador não vem, os turcomanos vão vivendo sua república presidencialista sob a batuta segura do maestro Saparmyrat Niyazov, eleito em 1990, reeleito com 99,5% dos votos em 1992 e, em 1999, escolhido como presidente para toda sua vida – vida dele ou do país, digamos assim.

Sapar, e eu peço desculpa pela intimidade, é um original. Admiremo-lo.

Sorria, você está sendo filmado

Ainda outro dia, baixou decreto, ou seu equivalente turcomano, no sentido de que todos os dentes de ouro do país deverão ser substituídos por dentes brancos. Os de ouro irão para a coleção que vem sendo feita na capital, Ashgabat, afim de erigir uma estátua de ouro de seu líder máximo, Sapar.

Ninguém é mais amado, idolatrado, salve, salve, do que Sapar, na Ásia Central.

Principalmente por ele mesmo, neste sentido tendo rebatizado o mês de janeiro com seu nome, abril com o nome de sua (lá dele) mãe, e o restante distribuído com igualdade pelo resto da parentada. Membros menores da família pegaram os dias da semana.

Isso tudo faz dos turcomanos uma gente das mais satisfeitas. Tanto que há um excedente de circuitos fechados de televisão no país conferindo se o povão está mesmo sorrindo – de dentes alvos, que fique bem claro.

Em vista disso tudo, claro que foram proibidos em todo território nacional cabelos compridos entre os homens e rádio entre os carros. O melão, uma fruta muito ao gosto de Sapar, por sua vez, ganhou um dia só para ele e sua celebração.

Há um dado ainda muito útil para os países com problemas de pensão e aposentadoria: lá a velhice começa oficialmente aos 85 anos. Na ausência de gordas reservas de gás e petróleo, Lula, Tony Blair, o próximo governo do Iraque, essa turma toda, deveriam pensar bem nessa solução.

 
 
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