|
Morte ao Carbo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na mesa americana, o carboidrato agora é um radical islâmico: temido, maldito e odiado. Deve ser combatido a todo custo. A cruzada da proteína gerou a carbofobia. Bill Clinton e Hollywood inteira estão combatendo o mal que já foi abreviado para carbo. É quase impossível encontrar quem não esteja seguindo uma das dietas: Atkins, South Beach, Zone ou alguma forma de ataque ao carbo. McDonald's, Burger King e outras cadeias campeãs de calorias já oferecem sanduíche sem pão ou com pão light. Só neste último trimestre foram lançados 583 novos produtos sem carbo ou com uma presença mínima deste veneno. Na semana passada, num dia, uma cerveja gastou um milhão de dólares em publicidade para garantir que seus produtos light não contêm carbo. Robert Cameron é um radical veterano desta guerra. Em 64 lançou um livro recomendando que o consumo de carboidrato ficasse abaixo de 60 gramas por dia, um número inaceitável pelos médicos daquela época e pelos de hoje. O título do livro era A Dieta do Homem que Bebe, e as receitas eram simples: dois martínis com um bifão no almoço, dois uísques com costelas de porco no jantar, acompanhado de champanhe. Um daiquiri tem 6 carbos, uma cenoura tem 5, um martíni tem menos de um, explica o autor Cameron. Ele foi chamado de assassino em massa pelo doutor Frederic Stare, fundador da Escola de Saúde Pública de Harvard, mas naquela época o livro, que cabia no bolso, vendeu 2 milhões e quinhentos mil exemplares, a um dólar cada. Robert Cameron não só ficou milionário como está vivo para contar a história. Aos 93 anos pratica sua dieta. Vive em São Francisco e acaba de relançar o livro. A única grande mudança é o preço. Agora custa US$ 4,95. Tin tin Robert Cameron. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||