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Atualizado às: 30 de abril, 2004 - 19h34 GMT (16h34 Brasília)
 
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Lituano-brasileiros encaram adesão com reserva
 

 
 
Rosa e Lino Valbasys
Rosa e Lino Valbasys mantêm a bandeira brasileira na parede de casa
Mafalda Tupe me recebeu na sua casa em Vilnius, capital da Lituânia, na mesma hora em que o canal de TV local transmite a novela brasileira Esperança.

A novela retrata justamente a época em que o Brasil passou a receber imigrantes de vários países europeus, entre os quais a própria Lituânia.

A história da família de dona Mafalda espelha a de milhares de famílias lituanas que foram ao Brasil nos anos 20 e 30 em busca de uma vida melhor. Em seu caso, porém, houve uma nova viagem transatlântica - desta vez de volta para a Lituânia.

Quatro décadas depois, ela vive em um país muito diferente, que abandonou as dificuldades do comunismo para enfrentar as dificuldades do capitalismo - e agora espera para ver o que vai acontecer após o ingresso na União Européia.

Uma coisa parece certa - alguns preços vão aumentar, como o da banana. "Não tenho ilusões", diz ela. "Mas acho que no começo a UE pode ajuadar a Lituânia a prosperar."

Café

"O mei pai foi ao Brasil em 1930 para trabalhar nos cafezais”, conta Mafalda. “Ele foi como iam todos os lituanos – com a idéia de fazer dinheiro e voltar.”

Foto que ilustra livro escrito pelo pai de Lino Valbasys
Seu Lino, à direita, ao embarcar do Brasil para a Lituânia, no fim dos anos 50
Mas ela diz que, com a Segunda Guerra Mundial, a crise econômica e outras adversidades vividas pelos europeus, a família foi ficando no novo país.

Muitos, porém, esperavam apenas uma oportunidade para voltar ao torrão natal.

“Nos anos 50, depois da morte de Stalin, a União Soviética se abriu um pouco, e as pessoas que haviam emigrado puderam voltar”, conta Mafalda.

“Nós estivemos entre os últimos a voltar, em 1960.” Mafalda tinha então 15 anos.

Ela diz que muitas famílias lituanas decidiram voltar ao país de origem porque as condições no Brasil eram difíceis, e a propaganda soviética, convincente.

Mafalda Tupe
Em 40 anos, dona Mafalda voltou duas vezes ao Brasil

"Aqui, eles prometiam estudo grátis, medicina de graça, trabalho para todos”, diz ela.

“Meu pai nunca foi do partido comunista, mas era comunista de coração, a favor da igualdade, e foi por isso que voltou."

Lênin na sala

Sua família não foi a única a comprar a visão de mundo dos comunistas russos e voltar ao país natal. Olga Pumputiene tinha 18 anos quando chegou à Lituânia. Ela lembra que tudo lhe parecia muito diferente do que havia no Brasil.

“Achamos muito esquisito que não havia crucifixo nas salas de aula, mas sim fotos de Lênin”, diz Olga.

No tempo do comunismo, é claro que existiam benefícios, mas a vida tinha suas limitações. “Eu lecionei 17 anos na universidade, mas não passava de professora porque não era do partido", conta Mafalda.

 Rosa e seu Lino Valbasys e Olga Pumputiene
Brasileiros estão céticos em relação à UE
Depois de alguns anos vivendo sob o regime soviético, muita gente mudou de idéia de novo e foi embora para outros lugares.

Foi o que aconteceu com o irmão e a irmã de Mafalda, que voltaram ao Brasil.

A vida dos lituanos voltou a sofrer uma revolução nos anos 1990, depois que o país se tornou independente da União Soviética, e algumas coisas mudaram para melhor.

Por exemplo, algus lituano-brasileiros puderam se juntar com descendentes de lituanos que haviam voltado de outros países da América do Sul para formar a associação Alma Latina. No período soviético, era proibido qualquer qualquer tipo de reunião.

Mas alguns aspectos da vida se tornaram mais difíceis. A própria Alma Latina não durou muito tempo devido à falta de dinheiro.

“No período soviético, nos vivíamos um período mais calmo, sem preocupações, todo mundo sabia que não ia perder o emprego”, afirma Olga.

“Não posso dizer que o período soviético era muito bom, pois a gente não tinha liberdade, mas agora falta o dinheiro.”

Banana

Olga é aposentada e ganha 298 litas por mês (cerca de R$ 300).

Ela acha que, com a entrada na União Européia, a vida deveria melhorar.

“A primeira coisa deveria ser que o ordenado e a aposentadoria teriam que ser iguais aos das pessoas que moram lá na Inglaterra ou na França.”

Tanto Olga como Rosa também temem que a entrada na União Européia poderá provocar aumento de produtos como energia e alimentos.

"A ministra das Finanças disse que vai aumentar alguma coisa, principalmente os importados, como a banana”, lamenta Rosa.

“Hoje a banana custa agora 3 litas o quilo, e ela disse que vai custar mais ou menos 7 ou 8 litas. O pobre não vai poder comprar.”

Mafalda se diz um pouco cética em relação à entrada do país na União Européia.

“Eu sou 50% a favor, 50% contra. Acho que, no começo, poderá ajudar o país a prosperar; por outro lado, pode prejudicar a agricultura e os preços podem aumentar.”

 
 
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