BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
 
Atualizado às: 19 de abril, 2004 - 15h03 GMT (12h03 Brasília)
 
Envie por e-mail Versão para impressão
Arco da Incompreensão
 
Ivan Lessa
Nunca entendi o Brasil. Chamar de Bananão foi uma rima de solução.

Presente em meu país, eu vivia desorientado. Imaginem ausente por mais de um quarto de século?

Mudamos todos juntos? Eu, Brasil, Natal?

Não. Aumentou tudo. O país, almejando ser potência, foi apenas elevado, no que tinha de pior, à enésima potência.

Eu acompanho o Brasil a uma distância quase que segura. Mais ou menos como se morasse em condomínio com cerca e seguranças armados.

Monumento

Ainda outra semana, acompanhei pelos telejornais locais, em breves momentos (afinal havia o Iraque a reportar), o levante, ou coisa semelhante, na Rocinha e no Vidigal.

Na mesma semana, li o resultado de uma pesquisa do IBGE sobre a violência no país.

Lá estão os números gelados de nosso insuportável calor humano: são 30 mil mortos por ano, o triplo dos mortos civis em um ano de guerra no Iraque.

Em 20 anos, de 1980 a 2000, cerca de 600 mil brasileiros foram assassinados. Trata-se, pronunciou O Globo, de uma guerra civil.

As causas? Continuam procurando, como procuram no Iraque as armas de destruição em massa. Se é que procuram mesmo.

Na mesma semana, numa coluna social, dou com um monumento nacional, Oscar Niemeyer, uma espécie de João Gilberto da arquitetura, sendo condecorado com o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte pelo Presidente da Câmara Municipal, o vereador Betinho Duarte.

Na mesma nota, menciona-se o projeto de Niemeyer intitulado Arco da Maldade, referente aos 21 anos da ditadura militar.

Googlando pela net, deparo com um esboço do monumento: uma espécie de agulha gigante e curvada com um homenzinho espetado na ponta.

E o grande Oscar, arquiteto orgulho nacional, explica sua atração pela monumentalidade no campo da escultura e que, na obra, buscava algo de – cito-o – “contundente e dramático, como foi a violência que pesou vinte anos sobre o nosso país. Uma escultura que mostrasse de forma clara o clima de pavor e de morte que cercou nossos irmãos mais revoltados”.

Há um engano, e violento, nessa história. A começar pelo nome do monumento.

Jamais, de jeito nenhum, por favor, “Arco da Maldade”.

Se tem de ser – e não deveria ser – qualquer coisa feito “Anos de Chumbo”, “Golpes Nunca Mais”, por aí.

Mais importante: nós já temos monumentos que bastem entre bustos e estátuas.

Sejamos docemente simplistas: casas, escolas e hospitais são os monumentos que nos faltam.

Mas se insistem mesmo, que seja um monumento em memória desses 600 mil que tombaram sem o auxílio de fardas ou ideologias.

 
 
NOTÍCIAS RELACIONADAS
 
 
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
 
 
Envie por e-mail Versão para impressão
 
Tempo | Sobre a BBC | Expediente | Newsletter
 
BBC Copyright Logo ^^ Início da página
 
  Primeira Página | Ciência & Saúde | Cultura & Entretenimento | Vídeo & Áudio | Fotos | Especial | Interatividade | Aprenda inglês
 
  BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
 
  Ajuda | Fale com a gente | Notícias em 32 línguas | Privacidade