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Atualizado às: 15 de março, 2004 - 13h32 GMT (10h32 Brasília)
 
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Água de beber, camará
 
Ivan Lessa
Não me lembro de, um dia, ter tido raiva de água.

Tive – tenho – mau humor, sim. Hidrofobia, nunca. Seria difícil depois de ter passado a maior parte de minha vida de frente para o Oceano Atlântico.

Não vale, pois, água do mar. Ou de rio, riacho, córrego. Tudo isso são boas lembranças, belas conotações. Estou querendo me referir é à água de beber, camará. Sempre fui a favor.

Aprovo-a nas duas modalidades que mais acompanhei.

Primeiro, em garrafa, que poderia ser São Lourenço, Caxambu ou Magnesiana, para não citar a Cristal, companheira de muito uisquezinho.

Segundo, a água de moringa ou de bilha, essa de lembrança memorável, um sabor de infância perdida mais pungente que picolé de groselha.

A água que me deixa um gosto ruim na boca é a água da moda, essa que passou a ser sinônimo de um não-sei-quê de chiquérrimo e levou a grandes disputas na indústria hidropotável e entre as pessoas que insistem em acompanhar a última palavra em matéria de adereço pessoal.

Desagradável ainda é o consumo de água em público.

Todo mundo pra cima e pra baixo com sua garrafinha plástica de água, sempre em nova e moderna embalagem. Todo mundo bebendo água em público – nos ônibus, nos metrôs, nas esquinas. Além do mais, essa gente faz cara feia para os inofensivos e despretensiosos bêbados de rua com suas cidras eu cervejas.

Ainda agora mesmo a Coca-Cola entrou no mercado das águas engarrafadas com sua Dasani, que nada mais é, conforme a multi admite com orgulho, a nossa velha conhecida água da bica.

Só que das bicas da cidade de Sidcup, no condado de Kent, Inglaterra.

Custa quase uma libra, isto é, perto de 1 dólar e 80 centavos. E olha que vende à beça. “Quem bebe Dasani não está bebendo água, mas sim a imagem da Coca-Cola”, conforme admitiu com orgulho e sabedoria um executivo da companhia.

Resultado: a Pepsi, sempre disputando mercado com sua velha rival, já está pensando em engarrafar a sua água de bica inglesa.

A concorrência promete. Como prometem também as possibilidades. Um espertinho já está engarrafando, segundo os jornais, ares do Reino Unido. Nada mais simples: basta tacar num receptáculo oxigênio, nitrogênio, gás carbônico e os outros componentes – não-poluídos, espero – que participam dessa festa calada e invisível que, diariamente, respiramos nestas ilhas.

 
 
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