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Atualizado às: 05 de março, 2004 - 09h14 GMT (06h14 Brasília)
 
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Nova cidadania
 
Ivan Lessa
Outro dia mesmo, aqui em Londres, no bairro de Brent, teve lugar a primeira cerimônia de naturalização britânica, segundo um novo modelo recém-lançado.

Apesar de eu continuar enfrentando bravamente as intempéries destas ilhas e de todo o hemisfério norte com meu modesto passaporte brasileiro, estou mais ou menos a par de como se dava a coisa antes. É que acompanhei o processo de naturalização de alguns amigos que, há dez, 15 ou 20 anos optaram por um passaporte igual ao da mulher do David Beckham e do lorde Jeffrey Archer. Seguinte: preenchia-se um formulário, mandava-se pelo correio, ia-se a um escritório aqui perto, na City, pagava-se uma quantia modesta pelo equivalente às estampilhas, assinava-se um papelucho jurando fidelidade à Rainha, chefe do desejado novo Estado, e, pronto, estávamos conversados. Tudo muito simples, muito pragmático, muito aquilo que achávamos que fosse “britânico”. Sim, havia uma fila. Sem filas, o Reino Unido não existiria.

Foi-se. Nestes tempos em que só se fala de asilo político, refugiados, correntes migratórias e cidadanias, o passaporte britânico passou a ser assim feito um talismã mágico saído das páginas de J.R.R Tolkien. Há, pois, que tornar sua obtenção e conquista em a) obstáculo, e b) espetáculo. Em fevereiro, 16 imigrantes oriundos de dez países passaram pela nova cerimônia. Teve presença do príncipe Charles, cantoria do hino nacional, discurso, risos e lágrimas. Parecia entrega de Oscar. Só que com bandeiras.

Esteve presente o ministro do Interior, David Blunkett, responsável pela pasta que cuida também de algumas questões ligadas à Justiça. O ministro explicou que um dos objetivos da nova cerimônia é incentivar o que chamou de “coesão comunitária” entre as cerca de 100 mil pessoas que, anualmente, obtêm cidadania britânica. Ao que parece, à maneira dos Estados Unidos, companheiro de aventuras do Reino Unido no Iraque, passará a haver, para os candidatos a cidadãos britânicos, uma pequena prova – não sei se escrita ou oral ou ambas – sobre aspectos relevantes da história destas ilhas.

A nova cerimônia manterá o juramento à Rainha Elizabeth. Nada se disse se os novos cidadãos britânicos estarão livres para participar de campanhas a favor da introdução do republicanismo no país.

 
 
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