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Atualizado às: 20 de fevereiro, 2004 - 12h46 GMT (09h46 Brasília)
 
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Crer e descrer
 
Ivan Lessa
Outro dia mesmo, surgiu uma inscrição misteriosa na tela de meu computador dizendo, ao soar de uma trombeta, que a religião passaria a ser ensinada nas escolas brasileiras. Santo Deus! exclamei para meus botões.

Como se por milagre (não acredito nas sincronicidades jungianas), no mesmo dia fiquei sabendo que aqui, no Reino Unido, o ateísmo passaria a fazer parte do currículo escolar.

Durma-se com um barulho desses! voltei a exclamar para meus botões, já chateados com o som de minha voz com suas exclamações blasfemas e seus lugares-comuns.

Não sei como vai ser no Brasil. Espero que não optem pela múltipla escolha. Como ensinar a parábola do Bom Samaritano mediante respostas a, b e c? Por aqui, já se discute a questão nos jornais com a naturalidade de quem grava um vídeo de papo com bicheiro.

Há também – e muitas – gozações, não fosse ateísmo o assunto.

A ausência de Deus, este vasto precipício que pretendem abrir, será ensinada aos jovens estudantes entre os 10 e 11 anos.

A petizada (falar nisso: como eu odiaria ser chamado de “petiz”), a petizada, dizia eu, vai aprender que vivemos num universo sem nenhum objetivo, uma espécie de seleção de futebol do Panamá da existência.

A petizada, para deixar de ser petiz, vai aprender que a morte é o fim absoluto, não há asas nem camisolão e nem harpa depois – nada demais, portanto, em fazer o culto a Beyoncé ou à banda Darkness.

Diante da futilidade total da existência, assim que completarem e passarem nos exames, os aí então jovens adolescentes passarão serenamente a pecar todo fim-de-semana, de sexta até altas horas de domingo, conversando besteira nos clubes locais e bebendo o equivalente a uísque com guaraná.

Em vista disso tudo, prefiro a aposta de Pascal (não tenho tempo nem envergadura intelectual para explicar) e o agnosticismo, ou seja, mais ou menos, como no jogo do bicho, que continua popular nos meus brasis, cercar – o leão, digamos – pelos sete lados.

 
 
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