Cerca de dez mil iraquianos xiitas foram às ruas na periferia de Bagdá para protestar contra o que eles chamam de "terrorismo" americano.
O protesto ocorreu durante o enterro de dois xiitas supostamente mortos por soldados iraquianos no bairro de Cidade Sadr nesta sexta-feira.
O Exército americano diz que as mortes ocorreram depois de uma emboscada a um posto de controle americano, no qual dois soldados morreram.
Moradores do local dizem que os iraquianos mortos estavam protegendo um religioso xiita e morreram durante troca de tiros com soldados americanos que estavam realizando buscas no local depois da emboscada.
Soldados 'atiraram primeiro'
As últimas mortes de soldados americanos elevam o número de mortos desde o fim das operações de combate para 94.
Na quinta-feira, pelo menos dez pessoas morreram em um ataque suicida em delegacia de polícia em Cidade Sadr – um bairro de maioria xiita.
Gritando "não aos americanos, sim aos mártires", os xiitas foram às ruas acusando os Estados Unidos de tentar criar divisões entre xiitas e outros muçulmanos no Iraque.
"Os Estados Unidos afirmam que são os pioneiros da liberdade e da democracia, mas parecem, ou são mesmo, uma organização terrorista", disse o xeque Abdel Hadi al-Daraji.
"Os americanos podem ter se esquecido que o poder real está nas mãos de Deus e não com os Estados Unidos", afirmou.
Segundo ele, na quinta-feria, os americanos haviam começado a atirar primeiro em direção aos xiitas que guardavam o escritório do religioso radical Muqtada al-Sadr – um crítico aberto à presença dos Estados Unidos no Iraque.
Os militares americanos dizem que as tropas da 1ª Divisão Armada estavam realizando patrulhamento no bairro foram atacadas.
O correspondente da BBC em Bagdá Jon Brain disse que o ataque ocorreu durante uma noite de tensão no local, à medida em que as tropas americanas continuavam sua investigação sobre o atentado de quinta-feira.
Em alguns casos, foram realizadas buscas de casa em casa, o que provocou revolta entre os moradores.
O correspondente da BBC acrescenta que, ainda que não haja indicação de que os xiitas tenham sido responsáveis por qualquer ataque às forças americanas, a cada dia, mais pessoas têm ficado revoltadas com o que elas vêem como um fracasso da coalizão em proteger adequadamente as suas comunidades.