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Atualizado às: 28 de outubro, 2003 - 18h30 GMT (16h30 Brasília)
 
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Tire suas dúvidas: Quem são os autores dos ataques no Iraque?
 
Soldado americano nos escombros da sede da Cruz Vermelha em Bagdá
Ao fazer patrulhas, soldados dos EUA são alvo de ataques diários

Após a onda de ações suicidas que matou pelo menos 34 pessoas em Bagdá na segunda-feira, o analista da BBC Frank Gardner explica o que se sabe sobre os autores dos ataques contra a Cruz Vermelha e as forças da coalizão liderada pelos Estados Unidos.

Quem está por trás desses repetidos ataques no Iraque?

Temos de fazer uma distinção entre os freqüentes e rápidos ataques contra as forças dos Estados Unidos e as ações suicidas, com carros-bomba, que já mataram muitos civis.

Os responsáveis pelos ataques contra as tropas da coalizão – que colocam bombas ao lado das estradas ou atacam soldados com lança-granadas – seriam uma mistura de pessoas leais a Saddam Hussein, voluntários árabes e iraquianos comuns que perderam familiares na guerra e desejam se vingar.

Por outro lado, acredita-se que aqueles que organizam os atentados com carros-bomba tenham ligações com grupos simpatizantes da Al-Qaeda, que possivelmente atuam em conjunto com agentes do antigo regime iraquiano.

Quanto se sabe sobre o envolvimento estrangeiro no apoio aos militantes?

Até agora, o que se sabe sobre o envolvimento estrangeiro nos ataques não leva a nenhuma conclusão.

Sabe-se que, antes e durante a guerra do Iraque, centenas de voluntários árabes – chamados de mujahideen, ou "guerreiros santos" – atravessaram as fronteiras do Iraque. Eles vieram de muitos países, como Iêmen, Arábia Saudita, Líbano e do norte da África.

A maioria deles ou morreu em combate ou voltou aos seus locais de origem após o rápido colapso do Exército iraquiano. Alguns, porém, permaneceram e estão atuantes. Na segunda-feira, por exemplo, soldados americanos encontraram um passaporte sírio com um homem que tentou, sem sucesso, explodir uma delegacia de polícia em Bagdá.

As táticas utilizadas nos ataques carregam a marca de algum grupo em particular, como a Al-Qaeda?

Sim. Os grandes atentados com carros-bomba contra alvos não-militares carregam as características da Al-Qaeda.

Eles são organizados e executados por militantes de forma profissional, às vezes sincronizada. Além disso, os atentados buscam alcançar a maior publicidade possível, ao mesmo tempo em que ninguém reivindica a responsabilidade pelas ações.

De onde vêm as armas utilizadas por eles?

O Iraque está repleto de armas, então ninguém precisa importá-las.

Como esses grupos escolhem os alvos a serem atacados?

O Iraque é o que pode se chamar de um ambiente rico em alvos. Com cerca de 150 mil homens no país, os soldados do Pentágono são uma presa fácil para as minas terrestres e explosivos colocados à beira de estradas.

Os militantes sabem os trajetos feitos pelos militares da coalizão e, geralmente, conseguem fugir antes que os americanos sejam capazes de reagir.

Os alvos maiores são escolhidos com mais cuidado, quase certamente com a ajuda de antigos integrantes do Partido Baath, de Saddam Hussein.

Os ataques contra a sede da ONU, da Cruz Vermelha, das embaixadas da Turquia e da Jordânia, assim como os realizados contra sedes de ministérios e as autoridades iraquianas que colaboram com Washington, têm como objetivo fazer do Iraque um país ingovernável.

Qual o grau de apoio dado aos militantes pela população do Iraque?

É difícil quantificar esse apoio. No sul do país, perto de Basra, Saddam era geralmente detestado, então há menos ataques contra a coalizão.

Mas no centro do país e ao norte e a oeste de Bagdá, há bastiões de resistência que se opõem duramente à presença americana – sobretudo em Fallujah, Ramadi, Baquba e Tikrit, cidade-natal de Saddam.

Que tipo de ameaça eles representam às forças americanas?

O conflito no Iraque tem se tornando um arrastado conflito de guerrilha. Americanos morrem quase diariamente. Se continuar assim, vai chegar um momento em que o custo político para o presidente George W. Bush se tornará alto demais.

Há tantos soldados americanos no Iraque que o Pentágono não tem como garantir a proteção de todos. Para cumprir sua tarefa de estabilização e garantir a segurança no país, eles precisam deixar suas bases e fazer patrulhas, ficando expostos aos ataques.

 
 
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