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'Anistia deveria fazer mais contra violência'
O presidente do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, coronel Jorge da Silva, afirmou à BBC Brasil que a Anistia Internacional não interpretou da forma correta as declarações da governadora do Rio, Rosinha Matheus, e do secretário de Segurança Pública, Antonhy Garotinho sobre a questão da violência no estado. Um dos principais responsáveis pelas políticas de segurança, coronel Jorge da Silva, disse ainda que a organização deveria levar em conta a participação dos países ricos na violência que hoje atinge a América Latina, especialmente o Brasil e a Colômbia. De acordo com o coronel, os países desenvolvidos tratam a violência no Rio como uma "guerra louca" quando, na verdade, ela está profundamente ligada ao fato de países como o Brasil e a Colômbia serem "pobres e periféricos", diz Silva. "Nos últimos anos, apreendemos cerca de 90 mil armas no Rio, fabricadas nos Estados Unidos e na Europa. A maioria delas seria usada pelos traficantes e assaltantes que ameaçam a segurança no Estado", afirma o coronel. Direitos humanos O coronel reagiu à postura da Anistia Internacional em relação aos Estados Unidos e à Europa. Segundo ele, a organização, que cumpre um importante papel na questão dos direitos humanos, deveria realizar campanhas não apenas contra governos locais dos países pobres, mas também contra os de países ricos. O relatório da Anistia Internacional, divulgado nesta quinta-feira em Londres, afirma que a violência no Rio não obteve melhoras desde as chacinas da Candelária e de Vigário Geral, que ocorreram há 10 anos. O relatório afirmou que o discurso de Rosinha e Garotinho, usado para justifcar as políticas do governo no combate à violência, muitas vezes estimulam a repressão policial, e não transmitem a mensagem que deveriam transmitir: de que a segurança do Rio precisa ser reformulada. "A Anistia usou no relatório frases isoladas e, na nossa avaliação, não considerou as importantes melhorias que estamos implementando na segurança do Rio", disse o coronel. Novos índices Jorge da Silva adiantou os novos índices da violência, que foram apresentados à imprensa brasileira nesta quinta-feira. De acordo com o governo, houve uma mudança significativa em aspectos importantes da criminalidade. O número de assaltos a ônibus, por exemplo, diminiu em 25% este ano, e o número de roubos a automóveis e traseuntes também caiu. "Em compensação, os assaltos a domicílio aumentaram, o que mostra que os assaltantes estão mais acuados para agir na rua, justamente por causa do aumento do policiamento", disse Jorge da Silva. Jorge da Silva citou diversas declarações políticas atribuídas ao governo Garotinho e agora Rosinha Matheus relacionadas à segurança pública que, segundo ele, foram copiadas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública em seu plano nacional. Entre elas a implantação de ouvidorias da polícia independentes, para investigar crimes de corrupção policial. O presidente do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro falou também sobre os R$ 40 milhões prometidos pelo Ministério da Justiça que seriam destinados ao combate à violência no Rio. "Até hoje estamos esperando esse dinheiro. Da última vez, o governo federal falou que não tinha os dados da governadora para enviar o valor", afirmou. |
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