União Europeia acusa Rússia de 'agredir' Ucrânia e estuda novas sanções; entenda

  • 30 agosto 2014
Exército Ucraniano (AP)
Tropas ucranianas são evacuadas de cidade do leste; o Exército está perdendo terreno para os rebeldes

A crise na Ucrânia vem se intensificando rapidamente nas últimas horas. Kiev e seus aliados ocidentais acusam a Rússia de enviar tropas e armamentos para os separatistas no leste ucraniano, que estão em conflito há meses com forças do governo.

O presidente ucraniano Petro Poroshenko fez um pronunciamento em Bruxelas, na Bélgica, que seu país está "num ponto quase sem volta" em direção a uma "guerra total".

Neste momento, líderes europeus participam de um encontro na capital belga para discutir a aplicação de novas sanções contra a Rússia.

O ministra de Relações Exteriores da União Europeia (UE), Catherine Ashton, acusou Moscou de "agredir diretamente" o leste ucraniano e que isso é "muito preocupante".

Ashton exigiu que a Rússia interrompa a entrada de armas, equipamentos militares e equipes na Ucrânia.

No entanto, Moscou nega estar apoiando os grupos pró-Rússia no leste da Ucrânia, que vêm ganhando terreno contra o Exército do país.

Sem consenso

Proshenko (Unian)
Poroshenko prepara plano de paz

A UE e os Estados Unidos já aplicaram sanções contra dezenas de autoridades russas, comandantes dos grupos separatistas e empresas acusadas de minar a soberania ucraniana.

No entanto, ainda não há consenso na UE sobre como lidar daqui em diante com a situação, diz Chris Morris, correspondente da BBC em Bruxelas.

O primeiro-ministro finlandês, Alexander Stubb, disse que "ainda não foi batido o martelo" sobre a efetividade das sanções já aplicadas. "Precisamos de cessar-fogo, um plano de paz", ele acrescentou.

Poroshenko, disse estar preparando um plano de paz que espera publicar na próxima semana e que a aplicação de novas sanções dependerá do sucesso ou fracasso deste plano.

'Praticamente em guerra'

A presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite, afirmou que a Rússia "está praticamente em guerra contra a Europa".

"Temos que apoiar a Ucrãnia e enviar ajuda militar para que o país possa se defender. Hoje, a Ucrânia está lutando em nome de toda a Europa"

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que a UE enfrenta uma "situação completamente inaceitável com a presença de tropas russas em solo ucraniano" e alertou que haverá consequências casa esta situação se mantenha.

O presidente francês, Francois Hollande, afirmou que esta é a maior crise desde o fim da Guerra Fria: "O que está acontecendo é tão sério que o Conselho Europeu será obrigado a reagir aumentando o nível das sanções se tudo se mantiver como está".

Mas como a situação chegou a este ponto? Para ajudar a esclarecer esta e outras dúvidas sobre os últimos desdobramento da crise na Ucrânia, preparamos uma série de perguntas e respostas.

Houve uma invasão russa?

Donetsk (AP)
Há cinco meses, os grupos pró-Rússia lutam pela independência de parte do leste do país

Na quinta-feira, a Otan divulgou imagens de satélite que alegou mostrar forças russas dentro da Ucrânia. Seriam mais de 1.000 soldados.

Antes, Poroshenko havia declarado em Kiev que se reuniria com seu conselho de segurança para discutir o que chamou de "invasão russa" a seu país.

Nos Estados Unidos, onde muitos esperavam uma resposta às notícias de envio de tropas russas à Ucrânia, o presidente Barack Obama se recusou a chamar de "invasão" as últimas ações russas, mas responsabilizou Moscou pela violência na região.

Mas a Otan foi contundente na sexta-feira. O secretário-geral da organização, Anders Fogh Rasmussen, declarou que estava claro que a Rússia "havia cruzado ilegalmente" a fronteira da Ucrânia. E pediu que Moscou interrompesse o que chamou de "ações militares ilegais".

Os confrontos seguem?

Novoazovsk (AFP)
Cidades do leste ucraniano, como Novoazovsk, estão sob o bombardeio de rebeldes

No início desta semana, o Exército ucraniano conseguiu recuperar o que disse ser "grande parte" do território até então controlado por separatistas ao redor das cidades de Donetsk e Lugansk.

Mas, na quinta-feira, quando teve início a crise se agravou ainda mais, houve relatos de que rebeldes pró-russos haviam tomado a cidade costeira de Novoazovsk e ameaçavam capturar o estratégico porto de Mariupol, no sul do país.

Combates também estariam ocorrendo ao redor de Donetsk e Lugansk.

Este avanço dos rebeldes marcou o início de uma nova frente no conflito entre o governo da Ucrânia e separatistas pró-Rússia.

Posteriormente, em um discurso incomum dirigido aos separatistas pró-Rússia na Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, elogiou o que chamou de êxitos da ofensiva na região. Pediu também o estabelecimento de um "corredor humanitário" para permitir a retirada de unidades do Exército ucraniano cercadas.

Isso significa que a Rússia está ajudando os rebeldes?

Putin e Medvedev (AFP)
O governo russo é alvo de críticas dos líderes europeus e dos Estados Unidos por sua ação no conflito

A Ucrânia indicou que o fato dos rebeldes terem recebido um recado direto de Putin mostra que quem os controla é a Rússia.

E tanto Kiev quanto seus aliados têm reiterado que Moscou está por trás da ofensiva rebeldes no leste do país.

A pergunta que muitos se fazem é: qual o tamanho da ajuda que está sendo orquestrada pelos alto níveis do Kremlin?

Moscou nega que esteja ajudando ou armando rebeldes. Mas um dos líderes rebelde em Donetsk declarou na quinta-feira que entre 3 mil e 4 mil cidadãos russos estariam entre suas forças.

As imagens da Otan publicadas na quinta-feira mostram o que, segundo a organização, há comboios militares russos dentro de território ucraniano.

Por que esse conflito importa para a Europa e o resto do mundo?

Refugiados (Getty)
A violência do combate entre o Exército ucraniano e rebeldes já deixou mais de 300 mil refugiados

Esta é vista como a maior crise de segurança na região desde a Guerra Fria.

Há anos, a UE trabalha para estabelecer vínculos com a Ucrânia. Mas a Rússia também tem se esforçado para que a Ucrânia se una a seus tratados de comércio com outras ex-repúblicas soviéticas.

A Ucrânia está situada em uma importante área geopolítica: dividida entre o Ocidente e o Oriente e com tensões internas que não conseguiu resolver desde o colapso da União Soviética, em 1991.

A Otan, a UE e os EUA acusam a Rússia de intimidar a Ucrânia e dizem que as táticas que Moscou usa são inaceitáveis.

No entanto, nenhum dos aliados tem respondido às críticas às táticas que a Ucrânia usa contra separatistas, que incluem o bombardeio de áreas civis nos enclaves rebeldes.

Um relatório da ONU do início de agosto indica que 2.119 pessoas morreram no leste da Ucrânia desde o início do conflito.

Calcula-se que 115.800 pessoas partiram para outras partes da Ucrânia e cerca de 188.000 foram para a Rússia.

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