Assange diz que vai deixar embaixada do Equador

  • 18 agosto 2014
Julian Assange
O fundador do Wikileaks nega que sua saída 'iminente' se deva à sua saúde frágil

O fundador do site Wikileaks, Julian Assange, disse nesta segunda-feira que deixará a Embaixada do Equador em Londres "em breve".

Ele não precisou quando sairia do prédio, no qual está refugiado desde junho de 2012. Tampouco confirmou notícias da imprensa britânica de que sairia por problemas de saúde.

O ativista é procurado por crimes sexuais na Suécia, razão pela qual pesa contra ele um pedido de extradição para o país escandinavo.

O ministro do Exterior equatoriano, Ricardo Patino, afirmou que a oferta de "proteção" a Assange continuará válida. Desde 2012, o Equador lhe oferece asilo diplomático.

Procurado

O fundador do Wikileaks nega as acusações de abuso sexual apresentadas por promotores da Suécia.

Ele diz temer que o pedido de extradição sueco seja apenas um pretexto para entregá-lo às autoridades dos Estados Unidos.

Assange é tido como uma espécie de "inimigo nacional" nos EUA desde que o Wikileaks publicou documentos americanos sigilosos sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão.

No último fim de semana, a imprensa britânica noticiou que médicos teriam detectado problemas no coração e nos pulmões de Assange.

Na entrevista coletiva desta segunda-feira, ele confirmou que a sua saúde se deteriorou nos últimos anos, mas negou que esse seja o motivo de sua "saída iminente".

Assange, no entanto, não esclareceu por que estaria próximo a deixar o prédio.

Prisão imediata

Por causa do pedido de extradição, as autoridades britânicas têm de prendê-lo imediatamente caso ele deixe a Embaixada.

Caso necessite de tratamento médico, ele seria preso e levado a um hospital, de acordo com o especialista em assuntos legais da BBC, Clive Coleman.

"É praticamente inconcebível que uma extradição possa ser suspensa por motivos de saúde dentro de países que fazem parte do sistema de garantia de prisão europeu", disse Coleman.

Para ele, todos os países europeus teriam hospitais e clínicas com condições para atender Assange.

"A questão de saúde não abre a possibilidade de mais uma batalha legal."