Velório de Campos deve reunir mais de 100 mil pessoas no Recife

  • 17 agosto 2014

Filhos de Campos e Marina Silva ao lado de caixão. Credito: Reuters
Mulher, filhos de Campos e Marina Silva durante velório

Mais de 100 mil pessoas são esperadas no funeral do ex-governador de Pernambuco e candidato à Presidência pelo PSB Eduardo Campos, morto na quarta-feira em um acidente de avião em Santos (SP).

Na manhã deste domingo, foi realizada uma missa em homenagem a Campos e a seus assessores que morreram no voo. Com a multidão que acompanhou a cerimônia podiam ser vistas bandeiras do Brasil, de Pernambuco e da campanha, além de algumas com a frase "Não vamos desistir do Brasil" - dita por Campos em uma de suas últimas entrevistas.

Além da família de Campos e de Marina Silva, que concorria a vice em sua chapa, compareceram a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, Aécio Neves (PSDB), seu adversário na disputa, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma foi vaiada por um grupo ao aparecer no telão -depois disso, outro grupo puxou aplausos.

"Está morto um homem que tem as suas convicções vivas", disse o arcesbispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, durante a missa.

Saburido disse que Campos foi "um grande líder". "Sentíamos nele, acima do gestor, um ser humano apaixonado pelo povo, especialmente pelos mais empobrecidos", afirmou.

Ao final da cerimônia, houve muitos aplausos e o público gritou "Eduardo, guerreiro, do povo brasileiro" -os filhos de Campos cantaram junto.

O enterro está marcado para as 17h de domingo, no cemitério de Santo Amaro, próximo ao centro do Recife. O político será enterrado ao lado do túmulo de seu avô, o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes (1916-2005), no Cemitério de Santo Amaro.

População acompanha velório de ex-governador. Credito: Reuters
População acompanha velório de ex-governador

O velório ocorre no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, desde a madrugada de domingo. Campos governou o estado por dois mandatos, de 2006 a 2014, quando deixou o governo para se candidatar à Presidência.

Também estão sendo velados os corpos do jornalista Carlos Percol e do fotógrafo Alexandre Severo, que também morreram no acidente.

O PSB tem dez dias para apresentar um nome para substituir Campos. Na sexta-feira, a ex-senadora Marina Silva foi consultada de forma preliminar pelo PSB e, segundo a sigla, aceitou concorrer à Presidência no lugar de Campos. O PSB realiza uma reunião para anunciar sua decisão final na quarta-feira.

Trajetória

Campos, que tinha 49 anos, estava em terceiro lugar na corrida eleitoral, com cerca de 10% dos votos, de acordo com as pesquisas mais recentes. Estava atrás da presidente Dilma Rouseff (PT) e do senador Aécio Neves (PSDB).

Nascido em 10 de agosto de 1965 no Recife, Eduardo Henrique Accioly Campos era filho do poeta Maximiano Campos (1941-1998) e de Ana Arraes, atual ministra do Tribunal de Contas da União.

Ex-presidente Lula com filho de Campos. Credito: Reuters
Ex-presidente Lula com Miguel, filho de Campos, e Renata, observados por José Serra
Dilma e Aécio se cumprimentam durante velório. Credito: Reuters
Dilma e Aécio se cumprimentam durante velório

Campos era economista e o principal herdeiro político de seu avô, Miguel Arraes.

Começou oficialmente na política em 1986, ao trabalhar na campanha de Arraes em sua segunda campanha ao governo de Pernambuco.

Em 1990, filiou-se ao PSB, pelo qual foi eleito deputado estadual no mesmo ano.

Aos 25 anos, sofreu sua única derrota eleitoral ao terminar em quinto lugar na disputa pela Prefeitura do Recife.

"Era uma criança, um menino", disse em entrevista à revista Época no ano passado.

Em 1994, foi eleito deputado federal com 133 mil votos. Licenciou-se do cargo para ser secretário do governo Arraes em Pernambuco. Em 1998, foi reeleito deputado federal com 173,6 mil votos.

Foi ministro de Ciência e Tecnologia entre 2004 e 2006, durante o primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva. Era o mais jovem entre os ministros à época.

Presidência

Campos assumiu a presidência do PSB em 2005 e, no ano seguinte, licenciou-se deste cargo para concorrer ao governo de Pernambuco.

Velorio de Eduardo Campos. Credito: AFP
Diversos políticos devem comparecer à cerimônia

Foi eleito com 60% dos votos no segundo turno. Em 2010, foi reeleito com 83% dos votos no primeiro turno, o maior índice registrado entre todos os governadores eleitos naquele ano.

O político estava em campanha para as próximas eleições presidenciais e havia firmado aliança com a ex-senadora Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, que seria sua vice-presidente.

Campos vinha se apresentando como uma nova via da política nacional.

"Se a gente quer chegar a um novo lugar, a gente não pode ir pelos mesmos caminhos", disse em sua última entrevista, dada à Rede Globo na terça-feira.

Mesmo atrás nas pesquisas, acreditava que cresceria ao se tornar conhecido com o início da campanha na televisão.

"Minha eleição vai ser de fenômeno, vai ser de arranque na última hora", disse à revista Piauí.

Acidente

De acordo com a Aeronáutica, o jato em que estava Campos saiu do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino ao aeroporto do Guarujá, em São Paulo. Quando se preparava para o pouso, por volta das 10h, o avião arremeteu devido ao mau tempo.

Cortejo fúnebre chega à sede do governo. Credito: Reuters
Cortejo fúnebre chega à sede do governo

Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com a aeronave. A Aeronáutica já deu início às investigações para apurar o que pode ter contribuído para o acidente, no qual morreram outras seis pessoas - o fotógrafo da campanha, um operador de câmera, dois assessores e os dois pilotos.

Campos era casado com a economista e auditora concursada do Tribunal de Contas do Estado Renata de Andrade Lima Campos, de 47 anos. Eles começaram a namorar ainda na adolescência.

Renata estava com a família em Recife no momento do acidente. Campos deixa cinco filhos.

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