Comissária da ONU adverte Israel por possíveis crimes de guerra em Gaza

  • 23 julho 2014
Local de mesquita destruída em Gaza (EPA)
Navi Pillay, da ONU, afirma que Israel não tem sido cauteloso para proteger civis palestinos

A alta comissária da ONU para direitos humanos, Navi Pillay, condenou nesta quarta-feira as ações militares de Israel na Faixa de Gaza e disse que há indicativos de que crimes de guerra foram cometidos.

Em um encontro emergencial em Genebra sobre o conflito entre israelenses e palestinos, Pillay afirmou que a ofensiva de Israel não tem sido cautelosa o suficiente para proteger os civis palestinos.

Citando um ataque aéreo realizado no dia 16 de julho, que matou crianças em uma praia de Gaza, Pillay disse que "o desrespeito pela lei humanitária internacional e pelo direito à vida ficou evidente de forma chocante".

Ela também criticou os "ataques indiscriminados" do grupo militante Hamas contra Israel.

Israel lançou sua ofensiva em 8 de julho, com o objetivo de impedir os disparos de foguetes feitos pelo Hamas.

"Parece haver forte possibilidade de que a lei internacional tenha sido violada de uma forma que poderia representar crimes de guerra", declarou Pillay.

Mas é improvável que Israel - que alega que o Conselho de Direitos Humanos da ONU é tendencioso - colabore com eventuais investigações a respeito feitas pelas Nações Unidas, explica a repórter da BBC em Genebra, Imogen Foulkes.

A ministra da Justiça israelense, Tzipi Livni, disse que o Conselho de Direitos Humanos da ONU é um órgão "anti-Israel".

"Israel está agindo de acordo com a lei internacional", disse Livni, segundo a Reuters. "É uma pena que civis sejam mortos, mas quando os avisamos que esvaziem (os edifícios que serão alvejados) e o Hamas lhes pede que fiquem, é isso o que acontece."

Pânico

Ao menos 649 palestinos e 31 israelenses foram mortos nos últimos 15 dias de combate, apontam cifras oficiais.

E um agente humanitário foi morto no sul de Israel, vítima de um foguete disparado desde Gaza, segundo a polícia.

A ONU relata que cerca de 74% dos mortos em Gaza são civis e que clínicas médicas estão entre os edifícios atingidos por ataques aéreos.

"Os civis de Gaza não têm lugar seguro para onde ir, já que 44% do território foi considerado área restrita pelo Exército de Israel", disse um representante do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU.

"As famílias estão tendo de tomar a difícil decisão de se dividir em diferentes lugares - mãe e filho em um, pai e filha em outro - para aumentar as chances de que parte da família sobreviva."

Nesta quarta, a cidade de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, foi palco de duros enfrentamentos. Testemunhas dizem que ao redor de 5 mil palestinos, alguns acenando com bandeiras brancas, estão fugindo do local em pânico, após uma incursão terrestre de tropas israelenses, informa o repórter da BBC em Gaza, Paul Adams.

Ao menos cinco pessoas morreram em um bombardeio na cidade durante a noite. Um soldado israelense também foi morto.

Aeroporto

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, chegou a Israel também nesta quarta, para tentar negociar uma trégua.

"Com certeza avançamos alguns passos. Ainda há trabalho a fazer", disse, ao desembarcar.

Kerry viajou em um avião militar que pousou no aeroporto Ben Gurion, de Tel Aviv, num momento em que diversas companhias aéreas americanas e europeias continuam a suspender voos civis ao local - depois de um foguete do Hamas ter caído a 1,6 km do aeroporto.

A empresa alemã Lufthansa anunciou nesta quarta que vai estender por mais 24 horas sua suspensão aos voos no Ben Gurion.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e John Kerry pediram pelo fim imediato das hostilidades em Gaza. Já o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, disse que o Hamas deve ser responsabilizado por rejeitar uma proposta egípcia de cessar-fogo.

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