Alemanha e França aceitam estudar sanções mais duras à Rússia

  • 22 julho 2014
Chanceleres belga, britânico e grego conversam com a representante de assuntos estrangeiros da UE (AFP)
Chanceleres dos 28 países da União Europeia pediram que órgão Executivo do bloco elabore lista de medidas

Alemanha e França aceitaram nesta terça-feira a possibilidade de impor sanções econômicas que afetem os setores financeiro, energético e de defesa da Rússia caso o país não coopere com as investigações sobre a queda do voo MH17 da Malaysia Airlines, no leste da Ucrânia.

Reunidos em Bruxelas, os chanceleres dos 28 países da União Europeia pediram ao órgão Executivo do bloco (Comissão Europeia) que elabore uma lista de medidas para ser analisada pelo comitê de representantes permanentes (Coreper), na próxima quinta-feira.

A aprovação dessa lista dependerá da aprovação dos governantes da UE, que devem convocar uma cúpula especial para tratar da questão.

A iniciativa é uma primeira vitória do Reino Unido e da Holanda, que vinham pressionando seus sócios por uma postura mais firme em resposta à colaboração de Moscou com grupos separatistas pro-Rússia que controlam o leste ucraniano.

Segundo o chanceler holandês, Frans Timmermans, a decisão foi tomada por unanimidade e "com firmeza".

A Alemanha, como a Itália e outros países com grande dependência do gás russo, preferia evitar esse passo por medo do impacto que pode sofrer.

A França, que assinou dois grandes contratos para a venda de navios de guerra às autoridades russas e pretende entregar o primeiro deles em outubro, também resistia a endurecer o tom contra Moscou.

No entanto, diante do acidente com o vôo MH17 na semana passada, que causou 298 mortes, a maioria deles holandeses, uma nova dimensão foi dada às discussões.

Chanceleres europeus (AFP)
Segundo o chanceler holandês, Frans Timmermans (centro), decisão foi tomada por unanimidade e "com firmeza"

A UE e os Estados Unidos acusaram os rebeldes de terem derrubado o avião com o apoio da Rússia e de, posteriormente, alterarem evidências e restringirem o acesso de inspetores internacionais ao local da queda.

"Esse acidente terrível aconteceu devido ao apoio russo aos separatistas no leste da Ucrânia e ao fluxo de armas enviadas pela Rússia", afirmou o ministro britânico de Relações Exteriores, Philip Hammond.

Comportamento da Rússia

As novas sanções poderiam incluir um embargo à venda de equipamentos de uso duplo - civil e militar - para o setor energético e ao comércio de serviços financeiros, explicou o ministro holandês.

Segundo o chanceler espanhol, José Manuel García-Margallo, a extensão das medidas dependerá "do comportamento da Rússia", não do resultado das investigações sobre o acidente, que pode demorar e não ser conclusivo.

Não está claro se a França será obrigada a suspender as vendas dos navios prometidos à Rússia.

A única certeza, por enquanto, é que novos nomes serão incluídos na lista de personalidades proibidas de entrar nos países europeus e cujos bens nesse território foram congelados e que serão aplicadas as restrições econômicas a algumas empresas russas.

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