'Vamos sentir falta de você', diz mensagem de alunos à professora que morreu em queda de avião

  • 20 julho 2014
Alunos escrevem mensagem à professora morta em queda de avião na Ucrânia | Crédito: BBC
Serviços fúnebres foram realizados em diversos países para relembrar as 298 pessoas a bordo do voo MH17, que caiu na Ucrânia

"Querida Sandra, é uma pena que você faleceu. Vamos sentir falta de você". Tão simples quanto desoladora, a frase desenhada a lápis de cor em um pedaço de papel é uma das centenas mensagens deixadas no interior da catedral de Hilversum, na Holanda.

Trata-se de uma homenagem de alunos a uma professora que morreu na queda do avião da Malaysia Airlines na última quinta-feira.

A mulher era uma das 298 pessoas a bordo do voo MH17 que caiu nas proximidades da cidade ucraniana de Donetsk, no leste do país.

No interior da catedral, uma cópia da lista de passageiros foi posicionada ao lado de uma vela acesa para as vítimas.

O clima é de tristeza e sensibiliza cada pessoa que entra no local. Ali dentro, só se ouve o badalar dos sinos ecoando nas paredes frias de pedra da igreja centenária.

"Nossa comunidade perdeu, de uma só vez, um indivíduo e três famílias completas. Treze pessoas", lamenta o vice-prefeito da cidade.

Familiares das vítimas do voo MH17 ainda não parecem acreditar no que aconteceu.

O Boeing 777 que partiu de Amsterdã, na Holanda, rumo a Kuala Lumpur, na Malásia, transportava 193 holandeses (incluindo um com dupla-cidadania americana), 43 malaios (incluindo 15 membros da tripulação), 27 australianos, 12 indonésios, 10 britânicos (incluindo um com dupla-cidadania sul-africana), quatro alemães, quatro belgas, três filipinos, um canadense e um neozelandês. Ucrânia e separatistas têm trocado acusações pela queda do Boeing 777, que teria sido abatido por um míssil.

Resgate

Neste domingo, os corpos de até 196 pessoas foram levados para trens refrigerados para serem transportados a um local desconhecido.

O Departamento de Estado americano informou haver diversos relatos de que corpos e partes da aeronave estariam sendo removidos e potenciais evidências sobre as causas da queda poderiam estar sendo alteradas.

A Ucrânia acusou os rebeldes separatistas de tentar destruir as provas de "um crime internacional".

Equipamentos pesados estavam recolhendo os destroços do avião ao redor da área, informou a agência de notícias AP.

O trem de carga com os seus cinco vagões está estacionado na estação ferroviária de Torez, a 15 km do local da queda.

Os vagões, com portas fechadas, se parecem com refrigeradores e ocasionalmente pode-se sentir cheiro normalmente associado a corpos mortos, disse o correspondente da BBC Richard Galpin em Torez.

Uma equipe da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) foi autorizada a ver três dos vagões e observou "sacos com corpos identificados". Mas os observadores não puderam verificar os números. Não está claro para onde os corpos serão levados.

Alexander Borodai, líder político rebelde, disse que os corpos permaneceriam em Torez até a chegada de inspetores internacionais, segundo a imprensa.

Ele também dito que suas forças recuperaram as caixas-pretas do avião e levaram-as à cidade, onde ele está supervisionando-as pessoalmente.

Países do Ocidente têm criticado restrições impostas pelos separatistas na área, e pediram que a Rússia os pressione para que o acesso ao local onde o avião caiu seja ampliado.

A Rússia nega qualquer envolvimento e rejeitou as acusações do Ocidente de que está alimentando o conflito na Ucrânia.

Kiev classificou o desastre como um "ato de terrorismo" e divulgou o que seriam conversas telefônicas que comprovariam que o avião foi abatido por separatistas do leste do país.

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