Corpos resgatados do MH17 são colocados em trem, mas destino é incerto

  • 20 julho 2014
Resgate (AFP)
Corpos e pertences das vítimas do avião estão espalhados por uma ampla área no leste da Ucrânia

Os corpos de até 196 pessoas do voo da Malaysia Airlines que caiu na Ucrânia foram levados para trens refrigerados para serem transportados a um local desconhecido.

A aeronave levava 298 pessoas e acredita-se que foi atingida por um míssil na região de Donetsk, sob controle de rebeldes pró-Rússia, na quinta-feira. Não há sobreviventes.

Ucrânia e separatistas têm trocado acusações pela queda do Boeing 777, que fazia o voo entre Amsterdã e Kuala Lumpur. Rebeldes disseram que vão entregar as caixas-pretas a investigadores internacionais.

O Departamento de Estado americano informou haver diversos relatos de que corpos e partes da aeronave estariam sendo removidos e potenciais evidências sobre as causas da queda poderiam estar sendo alteradas.

A Ucrânia acusou os rebeldes separatistas de tentar destruir as provas de "um crime internacional".

Equipamentos pesados estavam recolhendo os destroços do avião ao redor da área, informou a agência de notícias AP.

O trem de carga com os seus cinco vagões está estacionado na estação ferroviária de Torez, a 15 km do local da queda.

Os vagões, com portas fechadas, se parecem com refrigeradores e ocasionalmente pode-se sentir cheiro normalmente associado a corpos mortos, disse o correspondente da BBC Richard Galpin em Torez.

Uma equipe da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) foi autorizada a ver três dos vagões e observou "sacos com corpos identificados". Mas os observadores não puderam verificar os números. Não está claro para onde os corpos serão levados.

Saco plástico (AFP)
Ucrânia e rebeldes pró-Rússia têm trocado acusações sobre as causas da queda do avião da Malaysia Airlines
Destroços (AFP)
Correspondentes da BBC disseram que área da queda do avião ainda não foi devidade isolada
Rebeldes (AFP)
Observadores internacionais têm reclamado sobre as restrições impostas por rebeldes no acesso à área

Alexander Borodai, líder político rebelde, disse que os corpos permaneceriam em Torez até a chegada de inspetores internacionais, segundo a imprensa.

Ele também dito que suas forças recuperaram as caixas-pretas do avião e levaram-as à cidade, onde ele está supervisionando-as pessoalmente.

Países do Ocidente têm criticado restrições impostas pelos separatistas na área, e pediram que a Rússia os pressione para que o acesso ao local onde o avião caiu seja ampliado.

A Rússia nega qualquer envolvimento e rejeitou as acusações do Ocidente de que está alimentando o conflito na Ucrânia.

Kiev classificou o desastre como um "ato de terrorismo" e divulgou o que seriam conversas telefônicas que comprovariam que o avião foi abatido por separatistas do leste do país.

A lista de passageiros divulgada pela Malaysia Airlines revela que o avião carregava 193 holandeses (incluindo um com dupla-cidadania americana), 43 malaios (incluindo 15 membros da tripulação), 27 australianos, 12 indonésios, 10 britânicos (incluindo um com dupla-cidadania sul-africana), quatro alemães, quatro belgas, três filipinos, um canadense e um neozelandês.

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