Match rejeita acusações da polícia e diz que britânico não é fugitivo

  • 11 julho 2014
Whelan  (AFP)
Na visão da Match, que é parceira da Fifa, Ray Whelan está sendo coagido pelas autoridades brasileiras

A Match Services, empresa da qual Ray Whelan é diretor-executivo, admitiu em comunicado nesta sexta-feira que o britânico deixou o Hotel Copacabana Palace e disse que ele não é um fugitivo, e que os policiais apenas chegaram ao local após sua saída e posteriormente pediram que ele se apresentasse à 18ª Delegacia de Polícia Civil, na Praça da Bandeira, no centro do Rio de Janeiro.

Apesar da ordem de prisão preventiva decretada na tarde de ontem após a Justiça aceitar a denúncia apresentada pelo promotor Marcos Kac, a empresa argumenta, na nota, que Whelan não fugiu.

"A Match deve ressaltar seu entendimento dos termos da libertação anterior de Ray Whelan que não restringiam os deslocamentos de Ray Whelan, desde que ele permanecesse no Brasil. Não acreditamos que o termo ‘fugitivo’ seja adequado nestas circunstâncias, já que ele se encontra com seu advogado", diz a nota.

Na visão da empresa parceira da Fifa - que detém exclusividade na venda de ingressos VIP e pacotes de turismo incluindo ingressos para jogos da Copa do Mundo, o britânico que é acusado de fornecer as entradas para um esquema milionário de cambismo - está sendo coagido pelas autoridades brasileiras.

"Nós entendemos que qualquer acusado no Brasil tem o direito fundamental de resistir a uma coerção que acredite ser arbitrária e ilegal", continua o documento.

Mais cedo, um novo pedido de habeas corpus do advogado de Whelan foi negado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Falando à imprensa ainda na manhã desta sexta-feira, o chefe da Polícia Civil Fernando Veloso colocou em dúvida a conduta do advogado Fernando Fernandes e disse que estuda indiciá-lo por ter auxiliado Whelan em sua fuga do Copacabana Palace.

A Polícia Civil disse ainda que deve abrir um inquérito após a constatar que o advogado teria deixado o hotel junto com Whelan e que ele pode ter incorrido no crime de facilitação de fuga.

Imagens

A defesa de Whelan e a Match também discordam da polícia quanto às imagens gravadas pelas câmeras de circuito interno do hotel, divulgadas à imprensa na tarde quarta-feira.

As imagens mostram, supostamente, o advogado Fernando Fernandes e Ray Whelan saindo de um corredor numa portaria lateral do hotel, e ao final da gravação o executivo senta-se numa cadeira.

Para os policiais, a gravação (que tem a data de 10/07/2014 e a hora de 15:42 estampadas), é a evidência da fuga do britânico.

Para a Match, trata-se exatamente do contrário. "As câmeras de circuito interno de segurança distribuídas para a mídia mostram que o Sr. Whelan não saiu às pressas do hotel. A polícia chegou depois, e descobrindo que Whelan não estava lá, simplesmente solicitou que ele se apresente à 18a DP", diz a nota.

A empresa nega ainda que o executivo tenha sido chamado a depor na delegacia no dia 8 de julho ou que tenha recebido ordens de permanecer no hotel.

Para a Match, Whelan ainda não teve a oportunidade de enfrentar um julgamento justo. A empresa acrescentou que a defesa do executivo deve pedir que as acusações contra ele sejam revistas, e que entrará com novos recursos.

Ingressos

Reportagens da TV Globo divulgaram escutas de ligações telefônicas entre Whelan e o franco-argelino Mohammadou Lamine Fofana, nas quais preços de ingressos são discutidos – o que na interpretação da polícia trata-se de um forte indício do envolvimento do britânico no esquema.

Na visão da Match, no entanto, as negociações não seriam ilegais.

"Os ingressos incluídos nos pacotes de hospitalidade não têm um preço impresso. A lógica disso é que todos os ingressos incluídos em pacotes de hospitalidade são vendidos como uma parte integral de variados serviços adicionais", diz a empresa em nota.

Há suspeitas de que os envolvidos vendiam ingressos de cortesia dados pela Fifa a ONGs, federações e jogadores a preços que poderiam chegar a até R$ 35 mil. A polícia já apreendeu ingressos, máquinas de cartão de crédito, dinheiro e computadores – 12 pessoas chegaram a ser presas, e no momento há dez presos.

O advogado paulista José Massih foi libertado e Ray Whelan está foragido.

Segundo o inquérito, o grupo teria atuado em quatro Copas e poderia ter levantado até R$ 200 milhões por torneio.

Notícias relacionadas