Com campanha sem brilho, Brasil dá em casa seu maior vexame em Copas

  • 8 julho 2014
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Comemoração alemã na semifinal contra o Brasil
Em 29 minutos, o Brasil deu adeus às chances de título ao levar cinco gols da Alemanha no Mineirão

O futebol brasileiro esperou 64 anos por um novo Mundial no Brasil, mas a equipe não repetiu o embalo da Copa das Confederações, perdeu a principal estrela para o jogo mais complicado e acabou dando adeus às chances de conquistar o sexto título de sua história com um vexame histórico frente à Alemanha, que atropelou e venceu a semifinal por elásticos 7 a 1.

Depois de uma campanha que passava longe de ser brilhante, a equipe nacional enfrentou os alemães sem Neymar, com fratura na vértebra, e Thiago Silva, suspenso, e protagonizou o pior momento da seleção em mais de cem anos de história e vinte Copas do Mundo: o time de Luiz Felipe Scolari, completamente dominado pelo rival, levou cinco gols em 29 minutos diante da torcida em Belo Horizonte.

No segundo tempo, a Alemanha ainda fez mais dois, e o Brasil descontou no fim com um gol de Oscar.

Se em 1950 o trauma se deu numa derrota por 2 a 1 para o Uruguai quando um Maracanã lotado se frustrou ao ver o Brasil perder um título que parecia certo - o famoso Maracanazo -, a derrota em 2014 aconteceu um jogo antes da decisão do título e ficará marcada como a maior goleada sofrida na história da seleção brasileira em mundiais, superando os 3 a 0 da final de 1998, contra a França.

Sem vantagem

Fernandinho lamenta após gol da Alemanha
À seleção, restou apenas lamentar o fato de ter sido atropelada na semifinal

A goleada marca um torneio em que o fato de jogar em casa, colocado como ponto a favor da seleção brasileira antes da Copa, acabou não tendo o mesmo peso do torneio do ano passado.

A comoção na hora do hino, que virou a marca da equipe nacional por ser entoado à capela pela torcida em 2013, passou a acontecer também com outras equipes.

A emoção dos jogadores brasileiros, um trunfo até então, chegou ainda a ser colocada em cheque quando os atletas admitiram a dificuldade em se controlar diante de tanta pressão por jogar um torneio desta grandeza no Brasil.

Em campo, a equipe teve grandes dificuldades em impor o seu jogo durante toda a competição e passou a ter, desde cedo, titulares questionados por torcida e imprensa, como Daniel Alves, Paulinho e Fred. O futebol de muita intensidade e gols no início não se repetiu - dos cinco jogos da Copa das Confederações, em três o Brasil marcou antes dos dez minutos, feito conseguido apenas uma vez neste Mundial -, até a equipe sucumbir de forma impressionante frente ao primeiro grande rival.

Klose comemora gol contra o Brasil
Klose marcou contra o Brasil e chegou aos 16 gols em Copa, se tornando o maior artilheiro

Para piorar, Neymar, a grande estrela da companhia, levou uma entrada dura no final do jogo contra a Colômbia pelas quartas de final e acabou fora da Copa após ter constatada uma fratura na vértebra. Depois de quatro gols na primeira fase, o camisa 10 não marcou no mata-mata, mas a ausência escancarou ainda mais dificuldades criativas do Brasil.

Ainda que não tenha tido uma trajetória brilhante - três vitórias, dois empates e uma derrota - o desempenho foi o suficiente para colocar a seleção pela 11ª vez entre os quatro melhores da Copa. Agora, a equipe de Luiz Felipe Scolari busca no sábado chegar pela décima vez entre os três primeiros: são cinco títulos, dois vice-campeonatos e, em caso de vitória no jogo do final de semana (contra o perdedor de Holanda x Argentina), seria a terceira vez do Brasil no terceiro lugar do Mundial.

Campanha

Jogadores do Brasil levaram a camisa de Neymar
Jogadores lembraram Neymar antes do jogo contra a Alemanha: o craque fez falta

"Se tivesse de planejar de novo, faria tudo exatamente igual. Foi perfeito", disse Felipão na véspera da estreia na Copa do Mundo, quando o Brasil venceu a Croácia por 3 a 1. Toda a preparação foi muito elogiada pela comissão técnica e jogadores, e a própria convocação não criou maiores polêmicas como em outras oportunidades.

Nos primeiros jogos da Copa do Mundo, a seleção não conseguiu repetir a estratégia de começar o jogo no embalo da torcida e marcando um gol logo no início das partidas para impressionar os visitantes. Contra a Croácia, a seleção saiu atrás do placar antes de vencer por 3 a 1; diante do México, não saiu de um empate sem gols.

Frente à seleção de Camarões, a equipe não chegou a brilhar, mas fez 4 a 1 num dos piores times da Copa com boa atuação principalmente no segundo tempo, quando Fernandinho ganhou o lugar de Paulinho no time titular.

A primeira fase terminava, portanto, com duas vitórias, um empate e o consenso no elenco da seleção que a equipe precisava melhorar para a fase final.

Neymar, grande estrela do time na primeira Copa do Mundo na carreira e aos 22 anos de idade, correspondeu com quatro gols; os zagueiros, considerados dois dos melhores do mundo, seguiram elogiados; mas outros jogadores importantes não tiveram a mesma inspiração da Copa das Confederações.

Brasil venceu o Chile nos pênaltis nas oitavas
Contra o Chile, Brasil passou nos pênaltis; depois, venceu a Colômbia e sofreu a goleada histórica

O lateral Daniel Alves, que perderia a posição para Maicon nas quartas, o volante Paulinho, que de decisivo em 2013 acabou no banco de reservas nas oitavas, o meia Oscar, que não conseguiu ser criativo na armação das jogadas como em outros tempos, e o atacante Fred, que terminaria a Copa com apenas um gol e pouca movimentação, são exemplos de nomes que não viveram um grande momento técnico.

Lágrimas

Contra o Chile, nas oitavas de final, um gol do zagueiro David Luiz colocou o Brasil na frente, mas os chilenos empataram e quase viraram o jogo no último minuto da prorrogação, quando Pinilla chutou no travessão - o Brasil avançou nos pênaltis com duas defesas de Júlio César.

No jogo, chamou a atenção o choro dos jogadores da seleção pouco antes de bater os pênaltis. A imagem de Thiago Silva sentado na bola com lágrimas nos olhos levou a questionamentos sobre o estado emocional dos jogadores.

Diante da Colômbia, novamente dois gols de zagueiros - Thiago Silva, após escanteio, e David Luiz, de falta - abriram vantagem para o Brasil, que viu o rival descontar e pressionar até o fim.

A lesão de Neymar, já nos últimos minutos da partida, repercutiu pelos dias seguintes, com a saída do jogador da competição em razão de uma fratura na vértebra da coluna lombar. Tanto o camisa 10 como o capitão Thiago Silva, suspenso, desfalcaram o time no jogo mais difícil até então, diante da poderosa Alemanha.

No Mineirão, o jogo foi decidido em pouquíssimo tempo, quando Muller aproveitou cruzamento para abrir o placar aos 11 minutos e Khedira marcava já o quinto aos 29 do primeiro tempo. Kroos, duas vezes, e Klose, que se tornou o maior artilheiro da história das Copas com 16 gols, completaram o placar do primeiro tempo; Schurrle, com dois gols, ampliou, e Oscar marcou o de honra nos acréscimos: Brasil 1 x 7 Alemanha.