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Diplomacia evita expulsão sumária de torcedores chilenos

Atualizado em  19 de junho, 2014 - 07:50 (Brasília) 10:50 GMT

Chilenos são levados pela polícia após invadirem o centro de impresa do Maracanã

Setenta e duas horas. Esse é o tempo que 85 torcedores chilenos detidos terão para deixar o Brasil a partir da noite de quarta-feira antes que sejam deportados de forma sumária pela Polícia Federal, após terem invadido o centro de imprensa do Maracanã, assustando jornalistas brasileiros e internacionais.

Muitos tinham planos de continuar acompanhando a Copa e tinham até hotéis e passagens reservadas, mas terão que voltar para casa mais cedo. Entre os torcedores havia pelo menos uma mulher, Carolina Romero, de 29 anos.

A decisão, confirmada por nota da Polícia Federal (PF), chegou horas após o incidente ocorrido pouco antes da partida entre Chile e Espanha, no Rio de Janeiro.

Estima-se que havia mais torcedores no grupo, mas apenas 85 foram detidos e levados à DRFA (Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis), na Cidade da Polícia, em frente à Favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio.

Dois argentinos e um americano também foram levados à delegacia como testemunhas, mas foram liberados em seguida.

Um repórter do GloboEsporte.com disse ter testemunhado dezenas de torcedores muito irritados após descobrirem que seus ingressos eram falsos. Ele fotografou chilenos com impressões de comprovantes e emails recebidos de uma agência que seria a responsável pela venda dos bilhetes.

A invasão teria começado pouco depois, justamente pelo centro de imprensa, onde trabalhavam jornalistas de vários países. Paredes foram derrubadas e houve críticas ao esquema de segurança privada montado pela Fifa que não foi capaz de evitar a invasão.

A Polícia Militar foi chamada para conter o tumulto – tradicionalmente a segurança no interior dos estádios da Fifa é feita pelo fiscais, contratados e treinados para trabalharem sem armas de fogo; a polícia só é acionada em casos extremos.

Negociação

Ônibus trazendo 85 torcedores chilenos chega à Cidade da Polícia, na Zona Norte do Rio

No que pode vir a ser classificado como o primeiro incidente diplomático da Copa, a negociação do caso envolveu o Itamaraty, representado pelo diplomata Pedro Fernandes, além do cônsul do Chile no Rio, Samuel Ossa Dietsch, e representantes da Polícia Federal.

Inicialmente, o grupo seria autuado pelo artigo 41 B do Estatuto do Torcedor, além dos crimes de desacato, resistência à prisão e dano ao patrimônio público. Também chegou-se a cogitar que, da Cidade da Polícia, eles fossem levados diretamente ao Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), para deportação sumária e imediata.

No entanto, após horas de negociação chegou-se à conclusão de que eles teriam 72 horas para deixar o Brasil e que responderiam apenas pelo artigo 41 B do Estatuto do Torcedor (promover tumulto, praticar ou incitar a violência, ou invadir local restrito aos competidores em eventos esportivos).

Fontes da Polícia Civil revelaram à imprensa que houve desespero entre os chilenos quando a possibilidade de deportação imediata foi levantada, já que muitos tinham vindo ao país de carro.

Quanto à investigação, o caso será encaminhado ao Juizado Especial Criminal, e será solicitada uma perícia no local, além da análise das imagens de circuito interno e vídeos divulgados pela imprensa, para "individualizar a conduta de cada um dos chilenos".

Histórias confusas

Ouvidos pela BBC Brasil, os parentes e amigos dos torcedores chilenos que aguardavam sob a chuva a decisão sobre o destino do grupo em frente à Cidade da Polícia relataram histórias confusas.

Não está claro se alguns deles tinham ingressos falsos comprados numa agência online, se não tinham sequer comprado entradas ou se haviam sido vítimas de golpes de cambistas no entorno do Maracanã.

Felipe Orellana, de 29 anos, diz que não se deu conta quando sua mulher, Carolina Romero, de mesma idade, "foi empurrada para dentro do estádio, junto com a multidão".

Luis Leite, parente de um deles, fala à imprensa durante negociação diplomática

Ele diz que o casal tinha reservas de hotéis e planos para ficar no Brasil até o dia 7 de julho, mas que agora vai voltar para o Chile mais cedo.

Osvaldo Faro, de 36 anos, diz que pertencia a um grupo de 15 chilenos que começou a viagem por Cuiabá. "Ao todos gastamos US$ 4 mil por três ingressos de jogos, mais os passeios".

Luis Leite mostrava um ingresso em mãos, sem nome. "Ganhamos da federação chilena de futebol, temos amigos lá. Por isso não tem nomes, é uma cortesia", disse à BBC Brasil.

Pouco antes, no entanto, um de seus amigos disse que os ingressos tinham sido comprados no Brasil.

Mais cedo, a Polícia Militar confirmou que 23 pessoas foram detidas no entorno do Maracanã por venda ilegal de ingressos, entre eles 11 chilenos, três brasileiros, dois colombianos, dois americanos, dois canadenses, um alemão, um venezuelano e um peruano.

Doze ingressos e oito credenciais foram apreendidos.

Ainda no dia da partida entre Argentina e Bósnia, quatro argentinos e dois brasileiros também foram detidos e autuados pelo Estatuto do Torcedor após tentarem invadir o Maracanã, escalando muretas e pulando portões.

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