Jogo entre Brasil e México tem empate no campo e também na arquibancada

  • 17 junho 2014
Jogo no Castelão (AP)
Vitória sobre o México poderia poupar da última rodada jogadores pendurados, como Neymar e Thiago Silva

"Jugamos de tú a tú contra Brasil". Miguel Herrera, técnico do México, definiu com uma expressão muito comum no espanhol o que aconteceu nesta terça-feira, em Fortaleza.

De forma surpreendente, o time mexicano jogou de igual para igual com a seleção brasileira. Com coragem, com velocidade, com futebol incisivo e direto.

O Brasil poderia ter ganhado do México. Duas bolas altas, uma concluída por Neymar, outra por Thiago Silva, exigiram duas grandes defesas de Ochoa. Outros dois lances por baixo, com Paulinho e Neymar, idem. Foi o man of the match. Mas, porém, contudo, entretanto, o Brasil também poderia ter perdido. É que o México desperdiçou as chances criadas com chutes que passaram perto, mas erraram o alvo. Júlio César fez uma boa defesa em cada tempo.

Tão equilibrado quanto o jogo foi a guerra de torcidas. Eram muitos mexicanos na arquibancada, suficientes para fazer barulho e fazer os jogadores também se sentirem em casa desde o hino deles. Essa é uma Copa sul-americana ou até latino-americana, se considerarmos a grande quantidade de mexicanos.

E essas torcidas costumam ser mais ativas do que a de brasileiros que vão a jogos da Copa do Mundo, que têm um perfil diferente de quem costuma ir a estádios nos jogos dos clubes daqui.

Preocupante em caso de duelo direto com sul-americanos nas oitavas ou quartas? Sim, se isso de alguma forma neutralizar o fator casa, como aconteceu no Castelão. A tendência, no entanto, é que estas seleções "vizinhas" tenham muito mais gente apoiando na primeira fase do que no mata-mata.

É o que costuma acontecer em Copas do Mundo, já que a fase de grupo tem jogos com data, horário e local. A partir daí, é difícil prever cruzamentos e arriscar uma compra de ingresso/reserva de hotel, passagens.

Cabeceio de Neymar

O primeiro tempo foi sonolento em Fortaleza. O Brasil, assim como contra a Croácia, não conseguiu acelerar o jogo e fazer valer o ímpeto de ouvir o hino e transformar os primeiros 15 minutos em uma extensão dele. O 4-4-2 puro não tem funcionado bem para o Brasil. É verdade que Neymar pode decidir qualquer jogo mais à frente, perto de Fred, como um segundo homem de ataque. Mas Oscar e Ramires (ou Hulk ou quem quer que seja), mais abertos, se desconectam de Paulinho, o maior prejudicado pelo sistema.

Não à toa, não foi com passes, e sim com bolas alçadas na área, que as duas boas chances vieram. A defesa à la Gordon Banks de Ochoa, no cabeceio de Neymar, valeu o ingresso.

No segundo tempo, o Brasil passou 20 minutos sem trocar três passes certos. Jogadores distantes, Júlio César dando chutão em todos os tiros de meta, nenhuma jogada criada ou trabalhada. O México, com superioridades em todo o campo, fundamentalmente pelo meio, chegava com muita facilidade. E decidia chutar a gol para definir, o que não deu certo pela falta de pontaria. Foram momentos de sufoco da seleção brasileira.

Com Neymar recuando um pouco e o time mais próximo de um 4-2-3-1, com Bernard, Neymar e Oscar mais próximos entre si e de Paulinho, as coisas melhoraram. A aproximação foi importante, o meio de campo foi reconquistado. E aí o Brasil voltou à carga, forçando Ochoa a fazer mais algumas grandes defesas.

Foi um jogo equilibrado e foi um bom jogo de futebol, especialmente no segundo tempo. O empate, justo. Mais justo ainda do que um 0 a 0 seria um 1 a 1 ou até um 2 a 2, pelas chances criadas pelos dois times.

Felipão

No finalzinho, Marcelo tentou cavar um pênalti de forma escandalosa. É lamentável que jogadores de futebol continuem tentando ludibriar árbitros dessa maneira. Não é falta encostar ou botar mão no ombro. Só é falta se a ação impedir o outro jogador de prosseguir na jogada. Se Marcelo decide gritar e se jogar, o faz de forma pensada, para conseguir o pênalti. Não é a mão do mexicano que o impede de prosseguir e, sim, sua própria vontade de se jogar. Se é uma simulação é porque não é falta. Simples.

Mas Felipão aproveitou a coletiva para perguntar. "Não tem mais pênalti para o Brasil?". Conhecendo o treinador, não consigo imaginar que ele verdadeiramente considere pênalti o lance sobre Fred, contra a Croácia, e sobre Marcelo, contra o México. O que ele quer é que árbitros não se sintam pressionados a não marcarem mais lances polêmicos e pontuais a favor do Brasil. É o uso do microfone para jogar pressão nas arbitragens futuras.

A vitória sobre o México seria importante para encaminhar a classificação e poder poupar da última rodada jogadores pendurados, como os essenciais Neymar e Thiago Silva. É o que não estava nos planos de Felipão, ter de utilizá-los.

Em termos de garantir a primeira posição no grupo, o Brasil pode se considerar tranquilo. Uma vitória sobre a fraca seleção de Camarões acabará deixando a seleção em primeiro.

Interessante ver que tipo de mudanças Felipão promoverá no time - não necessariamente para pegar Camarões, mas já para as oitavas. Olho nos treinos. Com a formação atual, será difícil ganhar a Copa do Mundo. Mudanças pontuais são necessárias e, não duvidem, elas acontecerão.

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