Conter protestos sem inflamá-los é desafio para Brasil, diz 'NYT'

  • 13 junho 2014
protesto em São Paulo | Getty
Ação da polícia contra manifestantes perto do Itaquerão foi destaque na imprensa internacional

Com as atenções voltadas para a abertura da Copa do Mundo, a ação da polícia contra os protestos em São Paulo também foi - ao lado do desempenho da seleção brasileiro em seu jogo de estreia - alvo de críticas pela imprensa internacional.

O diário americano New York Times afirma que, após o uso excessivo de força dos agentes para impedir que manifestantes chegassem perto do Itaquerão, a ação da polícia estará "sob escrutínio".

Segundo o jornal, a revolta pela violência da polícia para reprimir os protestos de junho de 2013 acabou servindo de catalisador para as demonstrações em massa que se seguiram.

"Com as atenções da mídia internacional voltadas para o Brasil e a polícia sob escrutínio durante a Copa, o desafio para as autoridades será conter os protestos sem inflamá-los", avalia o NY Times.

O jornal traz uma foto de um manifestante que, mesmo depois de imobilizado por policiais, leva um jato de spray de pimenta no rosto.

E destaca ainda, também com imagens, que uma jornalista da rede americana CNN ficou ferida após ser atingida por uma granada (de efeito moral) lançada pela polícia.

Dilma

Já o jornal britânico The Guardian, que descreveu a cerimônia de abertura como "decepcionante", destacou que enquanto manifestantes eram combatidos nas ruas com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, a Fifa dizia a jornalistas dentro do estádio que principal objetivo seria o de "promover a paz mundial".

Ainda na Grã-Bretanha, o diário financeiro Financial Times afirma que a atmosfera de carnaval proporcionada pela vitória ofereceu pouco conforto à presidente Dilma Rousseff, que foi vaiada ao aparecer no telão do estádio comemorando o gol de pênalti marcado por Neymar.

O jornal diz que a presidente, que não se sentiu confiante para discursar na abertura, está "desesperada" pelo sucesso da Copa meses antes de disputar a reeleição em outubro.

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