BBC navigation

'Respire fundo, isso que é violência', diz guia de turismo sobre esgoto na Rocinha

Atualizado em  10 de junho, 2014 - 08:53 (Brasília) 11:53 GMT
Carlos Antonio da Souza

Carlos Antonio Souza guia visitantes por dentro da Rocinha 'de verdade'

Ele nasceu e cresceu na Rocinha e fala cinco línguas sem nunca ter saído do Brasil. Carlos Antônio de Souza trabalha à noite em um hotel e durante o dia faz visitas guiadas pela Rocinha, no Rio de Janeiro.

Mas o passeio que ele propõe aos visitantes, a maioria estrangeiros, é diferente. Em vez de percorrer as principais ruas da comunidade onde, segundo estimativas não oficiais moram 180 mil pessoas, Souza guia os turistas por vielas e um labirinto de ruas onde pedestres disputam espaço com um emaranhado de fios pendurados.

Ele diz que gosta de expor os problemas de infraestrutura da comunidade e a falta de investimentos públicos.

Ao passar por um esgoto ao céu aberto, ele diz em um inglês fluente:

"Não tape o nariz, respire fundo, porque vocês só vão passar cinco minutos aqui".

"Essas pessoas vão morar aqui a vida toda".

Turistas conhecem esgoto a céu aberto na Rocinha

00:00:38

Carlos Antonio Souza

Guia turístico expõe a visitantes problemas reais da maior favela do Brasil.

Assistirmp4

Para executar este conteúdo em Java você precisa estar sintonizado e ter a última versão do Flash player instalada em seu computador.

Formatos alternativos

Em depoimento à BBC, Souza disse que "isso é violência, as pessoas morando no meio do esgoto".

"Olha para este lugar, estamos entre dois bairros ricos da cidade. De um lado, apartamentos são vendidos por US$ 4 milhões. De outro, são alugados por US$ 1,5 mil mensais. Isto é violência".

UPP

Sobre a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), presente na Rocinha desde setembro de 2012, o carioca opina que a situação na comunidade está "pior do que antes".

"Não tem pacificação, estamos vivendo uma ditadura, eles pedem que fechemos a boca fechada e fiquemos em casa".

"E não precisamos da polícia. Precisamos de projetos de infraestrutura, educação, saúde e dignidade".

Carlos Antonio, para quem a Rocinha é ao mesmo tempo seu "país, cidade, paraíso e inferno", critica o fato de que 99% de seus clientes sejam estrangeiros.

"Brasileiros não têm a menor curiosidade de conhecer a favela, nem uma vez sequer na vida".

O depoimento de Carlos Antônio de Souza faz parte de uma coletânea de vídeos produzida pela BBC com histórias de vida na Rocinha.

Comentários

Não são aceitos mais comentários

Vá para a página de comentários
 
  • Classifique este
    0

    Número do comentário 9.

    Gostaria de conhecer esse guia para fazer esse passeio pela Rocinha.

  • Classifique este
    +5

    Número do comentário 8.

    Ricardo Morales...."complexos habitacionais exemplares afastados dos centros urbanos"? parece um sonho enfiar um contingente populacional numericamente igual ao de uma cidade pequena em um centro "exemplar" distante dos centros urbanos, aliás quanto mais distante estiverem nossas falhas, o quanto mais longe da vista estiverem nossas feridas, melhor.....é um idealismo bonito o seu, mas vamos ser sinceros, mesmo nas áreas urbanas onde se tem efetiva ação do estado em saúde, educação, segurança e etc....ela não é tão efetiva assim. além disso, vc esta propondo remoção, isso é uma espécie de violência, pois querendo ou não, as pessoas criam laços afetivos e culturais no ,e pelo, lugar onde habitam; já parou para pensar nas pessoas que não quiserem ir para esses complexos? ha claro! é só obriga-las a ir......o governo erra, mas não se enganem pois o erro deles é um reflexo dos nossos erros, e o primeiro deles é esse: varrer sujeiras para baixo dos tapetes ornamentados com belas figuras românticas e irreais.....aplausos, aplausos.....

  • Classifique este
    +2

    Número do comentário 7.

    Favela não deveria ser urbanizada. Deveria haver planos de remoção a complexos habitacionais exemplares afastados dos centros urbanos, ligados por transporte rápido como metrô. Segurança 24hrs, lagos e cinturão verde, complexo esportivo.Creches, escolas e hospitais. 100% dos habitantes cadastrados para não haver comércio da propriedade do governo. As favelas do Rio deveriam virar parques verdes como pano de fundo da cidade maravilhosa, trazendo um ar mais limpo. Em cidades menores, complexos como esses, de 15000 habitantes, retirariam grande parte da população da faixa da miséria, para um paraíso na terra unicamente para desenvolver a benevolênica e gratitude de novas gerações. Sei que o problema no Rio é complexo e os números muito maiores, e isso é devido há +100 anos de imobilidade dos poderes publicos. Iniciar um plano assim seria um grande passo, o qual estou a postos de coordenar quando receber o convite do governo Federal. No Aguardo

  • Classifique este
    0

    Número do comentário 6.

    Esse deveria ser um exemplo a ser seguido. Ao invés de ficar dolatrando (como alguns medíocres fazem) um país que cultiva ignorância, desigualdade e pobreza, devemos por o dedo na ferida e enfrentar os problemas sociais. Hipocrisia de quem pensa que ter uma boa imagem lá no exterior vai diminuir a pobreza aqui dentro. Não é bem assim não. Isso só esconde a pobreza, ou, como o famoso jeitinho brasileiro, apenas põe a sujeira debaixo do tapete.

  • Classifique este
    0

    Número do comentário 5.

    Isto é Brasil, as coisas demoram para serem resolvidas, diz o leitor... Coitado, mais crédulo que ele é difícil encontrar. Boa sorte no País das Maravilhas...

 

Comentários 5 de 9

 

Tópicos relacionados

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.