Dirigentes europeus pedem que Blatter deixe o cargo no ano que vem

  • 10 junho 2014
Blatter (AFP)
Blatter é acusado de ser o 'principal responsável' pelas acusações de corrupção envolvendo a Fifa

A dois dias do início da Copa do Mundo, dirigentes de associações de futebol da Europa criticaram o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e pediram que ele deixe o cargo em 2015.

As declarações vieram à tona durante o congresso anual da Fifa, que está acontecendo em São Paulo, e em meio a uma onda de suspeitas de corrupção contra o órgão.

A Fifa está investigando acusações de que houve corrupção na eleição do Catar como país-sede da Copa de 2022.

O presidente da associação holandesa de futebol, Michael van Praag, disse que Blatter não deve tentar a reeleição no ano que vem e que já é hora de colocar fim ao seu reinado.

"A imagem da Fifa se deteriorou por conta de tudo o que está acontecendo nos últimos anos", disse Van Praag, que também é membro do comitê executivo da Uefa (União das Federações Europeias de Futebol).

"Poucas pessoas ainda levam a Fifa a sério e, não importa a maneira como você olhe, Blatter é o principal responsável."

"As pessoas relacionam a Fifa com corrupção e propina. Você (Blatter) não está tornando as coisas fáceis para si mesmo. Por isso, para mim, você não é mais o homem certo para esse cargo."

'Inaceitável'

Greg Dyke, presidente da federação inglesa de futebol, também criticou Blatter em público.

Ele qualificou como "totalmente inaceitável" o fato do dirigente ter dito que as acusações contra ele tinham motivações racistas.

Segundo Dyke, ele disse a Blatter que "as acusações feitas não têm nada a ver com racismo, são alegações de corrupção."

O dirigente britânico ainda afirmou que as acusações precisam ser investigadas com seriedade.

"Sr. Blatter, muitos de nós estamos profundamente preocupados com estas acusações. Já é hora da Fifa parar de atacar o mensageiro e considerar a mensagem – e entendê-la."

Escândalo

Durante o encontro em São Paulo, Blatter teria dito a delegados da Fifa que gostaria de se candidatar para um quinto mandato nas eleições do ano que vem.

O vice-presidente da Uefa, David Gill, também pediu que Blatter não tente se reeleger.

"Pessoalmente, acho que sim (que ele deve sair). Devemos seguir em frente."

O escândalo envolvendo a escolha do Catar ganhou um novo capítulo na semana passada, quando o Sunday Times publicou que Mohammed Bin Hammam, ex-principal dirigente de futebol do Catar que está no centro das acusações, pagou 3 milhões de libras para autoridades de futebol ao redor do mundo para conseguir o apoio ao país.

Bin Hammam é acusado de ter usado seus contatos na família real e no governo do Catar para conseguir acordos e favores e, assim, garantir a realização do torneio no país.

Segundo os emails obtidos pelo jornal, alguns deles vistos pela BBC, o ex-dirigente:

  • Visitou o presidente russo, Vladimir Putin, para discutir "relações bilaterais entre a Rússia e o Catar um mês antes da votação para os países-sede das Copas de 2018 e 2022.
  • Intermediou conversas entre o governo e o executivo da Fifa na Tailândia, Worawi Makudi, para concretizar um acordo de importação de entre o país e o Catar.
  • Convidou o ex-executivo da Fifa na Alemanha, Franz Beckenbauer, a ir a Doha apenas cinco meses antes da votação junto com empresários do setor de petróleo e gás, que o haviam contratado como consultor. A empresa disse que explorava investimentos no Catar, mas não chegou a fechar negócios. Beckenbauer negou-se a comentar o assunto.
  • Intermediou encontros entre nove executivos da Fifa, entre eles o presidente Joseph Blatter, e membros da família real do Catar.
  • Intermediou um encontro entre a equipe de campanha do Catar e o presidente da Uefa, Michel Platini. Platini, que admite ter votado pelo Catar, diz que Bin Hammam não participou da reunião e diz não ter nada a esconder.

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