Como as seleções campeãs mundiais chegam à Copa

  • 10 junho 2014
Marco Reus sai de campo lesionado em amistoso da Alemanha contra a Armênia
Montolivo, Ribéry, Marco Reus (foto): grandes seleções perderam jogadores por lesão

A Copa do Mundo terá não só um número recorde de oito campeões mundiais, como uma inédita chave na primeira fase com três deles, o que já cria um clima eliminatório entre gigantes logo nas primeiras rodadas. E, apesar do Brasil despontar como favorito nos palpites, um trio de gigantes têm acompanhado a seleção brasileira no hall dos maiores candidatos a levar o título em 13 de julho.

"Acho que quem vai mais se destacar é o Brasil, porque acredito que será campeão por jogar em casa e pela confiança do título da Copa das Confederações. Se não fosse no Brasil, meu favorito seria a Alemanha, então coloco em segundo. Depois vem a Argentina e a Espanha. Para mim, não escapa desses quatro", afirmou o jornalista Juca Kfouri, comentarista da ESPN e colunista da Folha de S. Paulo, em entrevista à BBC Brasil.

Falando nesta segunda-feira, o lateral titular da seleção Daniel Alves foi na mesma linha. "Por respeito ao campeão, quem defende o título sempre vai ser favorito (Espanha). Por questão do meu gosto, coloco a Alemanha, que tem um futebol alegre e qualificado. E a Argentina que tem um ataque espetacular. Mas eu colocaria, nas cabeças, Espanha e Brasil".

Na preparação para o Mundial, entre as oito seleções campeãs do mundo, o Brasil é quem teve a vida mais tranquila até esses dias que antecedem a estreia: além de passar pela convocação sem grandes polêmicas, a equipe de Luiz Felipe Scolari venceu os amistosos de preparação e não teve problemas com lesão de jogadores. Cenário diferente de alguns dos concorrentes.

Alemanha, França e Itália, por exemplo, sofreram golpes duros com os cortes respectivamente de Marco Reus, que rompeu os ligamentos do tornozelo, Franck Ribéry, que não se recuperou de dores nas costas, e Montolivo, que fraturou um osso da perna num dos últimos amistosos.

Cristiano Ronaldo durante treino da seleção portuguesa
Ronaldo não joga numa seleção campeã nem favorita, mas é outro que chega fora do físico ideal

Espanha e Uruguai correm contra o tempo pela recuperação de dois de seus destaques: o espanhol Diego Costa, que terminou a temporada machucado, e o uruguaio Suárez, que operou o joelho há cerca de três semanas.

Na Inglaterra, que só empatou com Equador e Honduras nas duas últimas partidas, Chamberlain sofreu lesão no ligamento do joelho direito e ainda pode ser cortado; por fim, a Argentina é a única que não conviveu com problemas pontuais de lesões.

Conheça melhor a situação das sete campeãs mundiais além do Brasil que participam desta Copa:

Itália

Montolivo, da Itália, no chão após se machucar em jogo contra a Irlanda
Montolivo (no chão) aguardando atendimento: lesão contra a Irlanda custou a Copa para o italiano

A tetracampeã mundial Itália chega ao Brasil com a velha força da camiseta azul: seis finais de Copa e campanhas que mostram que, por mais irregular que a seleção esteja, é sempre candidata a grandes voos.

Um exemplo recente aconteceu na última Eurocopa. Depois de fazer péssima campanha na Copa do Mundo de 2010, quando terminou na lanterna, sem vitórias, num grupo com Paraguai, Eslováquia e Nova Zelândia, a equipe italiana chegou à final da Euro superando Inglaterra e Alemanha.

Essa ideia, de que a Itália surpreende mesmo sem mostrar um bom futebol, voltou à tona depois dos dois amistosos de preparação para esse Mundial. Classificada à Copa passando de forma invicta pelas eliminatórias (seis vitórias e quatro empates), a equipe não deixou uma boa impressão nos últimos jogos amistosos na Europa. Após empatar sem gols com a Irlanda, o time italiano novamente não saiu de um empate contra Luxemburgo, que foi goleada pela Bélgica dias antes. Nas redes sociais, torcedores e jornalistas brincaram com esse clichê: quanto mais tropeça, mais a Itália parece poder surpreender.

"Será importante conquistar os três pontos no nosso primeiro jogo e também bater um time forte", colocou o técnico Cesare Prandelli à época da convocação, se referindo ao duelo da estreia diante da Inglaterra. Já no Rio de Janeiro, no último domingo, um time reserva montado pelo treinador venceu um duelo contra o Fluminense, em Volta Redonda, por 5 a 3. "Vimos coisas interessantes. Os dois atacantes se movimentaram bem. Devemos ter mais coragem para roubar a bola mais à frente, adiantar a marcação, mas as condições mostradas foram boas. Trabalhamos bem", avaliou o treinador.

Montolivo é a baixa de última hora depois de se machucar no amistoso contra a Irlanda no último final de semana antes da viagem ao Brasil. Rossi, que perdeu quatro meses da temporada com uma lesão no joelho direito, e Destro, que acabou deixado de fora por opção do treinador, são outros nomes que eram esperados, mas não jogam o Mundial.

A grande figura do time continua sendo Balotelli, atacante de 23 anos, enquanto a principal referência técnica do elenco é o veterano Pirlo, meia de 35 anos que chega à terceira Copa do Mundo e foi um dos melhores na posição ao levar a Itália ao título em 2006.

A Itália tem base em Mangaratiba-RJ, mas joga na parte de cima do território nacional. O primeiro duelo pelo Grupo D, contra os ingleses, acontece no sábado, 14, em Manaus, sede em que os europeus mais temem o forte calor. Depois a rota é em direção ao Nordeste, enfrentando a Costa Rica em Recife e o Uruguai em Natal.

Alemanha

Marco Reus, da Alemanha, em jogo contra a Armênia
Apesar da goleada, teste contra a Armênia virou pesadelo alemão, com o corte de Reus

Se houvesse um ranking de Copas do Mundo no modelo dos quadros de medalhas usados em Jogos Olímpicos, a Alemanha seria a líder isolada com 11 pódios, sendo três títulos mundiais, outros quatro vice-campeonatos e mais quatro vezes no terceiro lugar. Desde que levantou a taça pela primeira vez, em 1954, a pior posição numa Copa foi o sétimo lugar.

Pelo retrospecto, já fica claro que a seleção alemã tem um respeito mundial quando se fala do maior torneio de futebol do planeta. E eles não costumam decepcionar. Nas eliminatórias para esse Mundial, por exemplo, só não passaram com 10 vitórias em 10 jogos em razão de um jogo atípico contra a Suécia, quando cedeu um 4 a 4 depois de estar vencendo por 4 a 0.

E se o histórico recente é ótimo, a expectativa na Alemanha é ver se a seleção finalmente pode voltar a ganhar um título de expressão. Nas três últimas Copas, um vice e dois terceiros lugares; nas duas últimas Eurocopas, um vice-campeonato e uma semifinal.

"Todos os jogadores que selecionei me passam 100% de confiança. Temos a perfeita combinação entre jovens talentosos e atletas com muita experiência. Nosso time é balanceado, com dois jogadores em cada posição. Esse time tem caráter e vai ao Brasil com confiança e grandes objetivos", disse o técnico Joachim Low na confirmação dos 23 convocados.

Além disso, no cenário dos clubes, Bayern de Munique e Borussia Dortmund fizeram uma final alemã na Champions League 2012/13 com boa parte desse elenco que jogará a Copa do Mundo ganhando ainda mais experiência em grandes decisões internacionais.

Na reta final de preparação, a Alemanha somou empates com Polônia e Camarões, e aplicou uma goleada de 6 a 1 diante da Armênia no último jogo antes de vir ao Brasil. O problema é que a despedida em campo fez com que o elenco perdesse Marco Reus, importante peça ofensiva que torceu o tornozelo esquerdo e acabou rompendo os ligamentos – o zagueiro Shkodran Mustafi foi integrado no lugar do atleta cortado.

Ao todo, são 16 jogadores que atuam no Campeonato Alemão, sendo seis do poderoso Bayern de Munique, a espinha da seleção: Neuer, Boateng, Lahm, Schweinsteiger, Muller e Gotze. Um dos forasteiros é o atacante Klose, da Lazio-ITA, que chega na Copa podendo superar Ronaldo como maior artilheiro da história do torneio (o alemão tem 14, contra 15 do brasileiro).

A Alemanha, que construiu o próprio centro de treinamento em Santa Cruz Cabrália, na Bahia, tem uma primeira fase toda no Nordeste. A estreia, segunda-feira, 16, é diante de Portugal, em Salvador. Depois, reencontro com Gana, rival também em 2010, em Fortaleza. E, por último, encerramento do Grupo G em Recife, diante dos Estados Unidos.

Uruguai

Cavani, atacante uruguaio, durante amistoso antes da Copa do Mundo
Com Suárez longe da condição ideal, aumenta a responsabilidade de Cavani no ataque

Até a última Copa do Mundo, os jovens fãs de futebol tinham no Uruguai uma vaga lembrança de uma seleção que se destacou em Mundiais de muito tempo atrás, vencendo o primeiro torneio, em 1930, e o quarto, em 1950, ao superar o favorito time brasileiro no Maracanã - essa é, aliás, a cereja do bolo do pequeno país apertado entre Argentina e Brasil, que, dentro de campo, bateu de frente e superou os vizinhos com os títulos dos dois primeiros Sul-Americanos (1917-18), além de ter sido bicampeão olímpico (1924-28).

Porém, Brasil e Argentina foram também ganhando suas Copas e o Uruguai ficando para trás. A última campanha de destaque havia sido em 1970 e, depois de não se classificar para três de quatro Mundiais entre 1994 e 2006, o técnico Óscar Tabárez assumiu o comando da seleção para recolocá-la nos holofotes do futebol mundial.

Na Copa de 2010, a Celeste venceu o grupo diante de França, África do Sul e México, passou depois pela Coreia e ainda superou Gana, nos pênaltis, num dos mais incríveis jogos da história das Copas. Caiu num jogaço diante da Holanda e terminou no quarto lugar, mas o orgulho futebolístico dos 3,5 milhões de habitantes havia sido retomado, a ponto de praticamente a mesma equipe vencer a Copa América um ano depois, na Argentina. Ainda assim, a vida na eliminatória para o Mundial não foi tranquila: classificada no quinto lugar na fase sul-americana, a seleção precisou passar pela repescagem, diante da Jordânia (quinta na Ásia) para vir ao Brasil.

Agora, a união desse elenco ainda mais experiente é, de fato, o grande diferencial do Uruguai. Pouquíssimas seleções têm uma postura que tanto se parece com um clube, não com jogadores que se reúnem de tempo em tempo. Somado a isso, claro, a grande lembrança do título em 1950 e a esperança de repetir a história numa possível disputa de título no Maracanã. "Daria minha vida para vê-la campeã do mundo", disse Alcides Ghiggia, autor do gol mais conhecido da história uruguaia - o da vitória sobre o Brasil em 16 de julho de 1950, em entrevista ao site da FIFA.

Luis Suárez, que não é só a referência técnica do time pela impressionante temporada que fez com a camisa do Liverpool, como também é um dos símbolos dessa postura de entrega máxima dentro de campo, chega ao Brasil em recuperação após cirurgia no joelho realizada em 22 de maio. Ele realizou trabalhos específicos nos últimos dias e vive a expectativa de ter condições para iniciar o torneio.

Ainda que a torcida uruguaia torça para que Suárez se recupere em tempo, a esperança de gols já fica compartilhada com Edinson Cavani, atacante do Paris Saint-Germain, da França, e Diego Forlán, melhor jogador da Copa passada e que, aos 35 anos, está no Cerezo Osaka, do Japão.

De resto, o time titular segue tendo os nomes que foram até a semifinal em 2010, como Muslera, Maxi Pereira, Lugano, Godín, Cáceres, Gargano, Arévalo e a dupla de ataque já citada. No último amistoso, contra a Eslovênia, semana passada, vitória por 2 a 0 com gols de Cavani e Stuani, em jogo marcada pela presença do presidente Jose Mujica, que se despediu dos atletas em Montevidéu.

"Temos muito orgulho da nossa história, saber quem somos, de onde vêm, para saber o que queremos. E sem nenhum peso nas costas, vamos agora ao Brasil com otimismo. Ninguém pode tirar o sonho de você", escreveu o zagueiro Lugano antes do embarque para o Brasil.

Se a estreia pelo Grupo D é sábado, 14, diante da Costa Rica, em Fortaleza, a coisa começa a se complicar a partir daí. Primeiro, pela logística: os jogos seguintes são em São Paulo (19/06) e Natal (24/06), e por isso a seleção tentou minimizar os deslocamentos com uma sede no meio do caminho, em Sete Lagoas (MG); segundo, pelos adversários: o Uruguai caiu num inédito grupo com três campeões do mundo, tendo de enfrentar Inglaterra e Itália por um lugar na segunda fase.

Argentina

Messi e Aguero durante amistoso da Argentina
Ataque da Argentina, com Messi e Aguero, é a força da seleção em busca do tricampeonato

Depois de parar nas semifinais na Copa América que sediou em 2011, a seleção argentina se classificou para a Copa sem maiores problemas, missão ainda mais facilitada pela ausência do Brasil nas eliminatórias sul-americanas. E mesmo sem passar das quartas de final desde 1990, está constantemente no bloco das favoritas a vencer o Mundial.

A bicampeã do mundo aposta ainda numa grande sequência de Messi com a camisa da seleção principal. Ele passou a marcar mais gols pela equipe nacional nos últimos dois anos e, na terceira Copa do Mundo da carreira aos 26 anos, o melhor do mundo pela Fifa em 2009-10-11-12 chega ao Brasil com menos jogos do que vinha fazendo pelo Barcelona.

Em um time que tem grandes nomes no ataque - além de Messi, estão Higuaín, Aguero e Lavezzi, por exemplo -, mas atletas menos badalados na defesa, o próprio técnico Alejandro Sabella não esconde a diferença que o camisa 10 pode fazer.

"Fizemos poucos jogos sem o Leo (Messi), mas o fato é que ele é insubstituível. Não há um clube ou uma seleção no planeta que pode ser a mesma coisa com ou sem Messi". Por outro lado, o volante Mascherano tratou de minimizar a dependência sobre o futebol do colega de Barcelona. "Se ele funcionar bem, nós o acompanharemos. Nós não podemos jogar toda a pressão no Messi, temos de ajuda-lo. Nós não podemos depender só do que o Leo fizer. Sabemos que se ele tiver uma boa Copa, a Argentina também terá", disse em entrevista ao jornal Clarín.

Sabella chegou a treinar com 26 jogadores e depois cortou Otamendi, Banega e Sosa. Mas a grande ausência da lista argentina é Carlos Tevez, que aos 30 anos poderia jogar seu terceiro Mundial e foi descartado pelo treinador.

Tevez é bastante querido pela torcida argentina, e muitos o preferem na comparação com Messi por sua postura mais popular e de ídolo do Boca Juniors, enquanto o compatriota foi para a Espanha ainda muito jovem. Manifestações foram feitas nas ruas de Buenos Aires pedindo a convocação do atacante da Juventus, que foi um dos protagonistas do título italiano desta temporada. Em vão.

A Argentina tem, em tese, um caminho tranquilo no Grupo F. Estreia no domingo, 15, diante da Bósnia, no Rio de Janeiro, pega o Irã em Belo Horizonte e a Nigéria em Porto Alegre. Com sede em Vespasiano-MG, os argentinos venceram Trinidad e Tobago (3 a 0) e Eslovênia (2 a 0) antes de vir ao Brasil.

Inglaterra

Seleção inglesa durante treinamento no Brasil
A Inglaterra, que há tempos não chega longe em Copas, se renovou para o Mundial no Brasil

A seleção inglesa, campeã do mundo quando sediou o torneio em 1966, tem poucos resultados relevantes desde então. Nos últimos anos, a sensação de falta de brilho do English Team tem contrastado ainda mais com o aumento da popularidade do campeonato local, a Premier League, formato criado em 1992 e que hoje atrai seguidores de todos os continentes.

Para não ficar apenas no cenário de Copa do Mundo, onde o time inglês só chegou uma vez às semifinais desde que foi campeão há 48 anos, as atuações na Eurocopa também não empolgam: em oito participações, a equipe jamais chegou sequer numa final. O curioso é que a disputa por pênaltis têm sido a grande vilã dos ingleses na história recente, com eliminações dessa forma nas Copas de 1990, 1998 e 2006 e nas Euros de 1996, 2004 e 2012.

"É difícil descrever isso. Infelizmente para mim, eu desperdicei um pênalti numa Copa do Mundo", comentou o atual capitão, Steven Gerrard, à BBC Radio 5 Live, em Miami, onde o elenco se preparou para o torneio - ele teve a cobrança defendida no duelo contra Portugal em 2006.

Por fim, o último ciclo também não teve nenhum grande brilho. No Mundial na África do Sul, empate contra Estados Unidos e Argélia e vitória mínima diante da Eslovênia levaram a equipe para a segunda fase, quando levou 4 a 1 da Alemanha (apesar de prejudicada pela arbitragem, que não concedeu um gol legal a favor dos ingleses); nas eliminatórias para a Eurocopa, sofrimento no grupo após dois empates contra Montenegro; na própria Euro, passou em primeiro da chave (apesar de só empatar com a França), e caiu no jogo seguinte diante da Itália (nos pênaltis); por fim, na qualificação para a Copa do Mundo de 2014, novamente avançou, mas no aperto, depois de não conseguir vencer a Ucrânia, principal concorrente.

Se por um lado figurões como Ashley Cole (33) e John Terry (33) não estão mais no elenco, ainda há espaço para o capitão Steven Gerrard (34) e para o também veterano Frank Lampard (35). A referência ofensiva segue sendo Wayne Rooney, que aos 28 anos chega a sua terceira Copa do Mundo.

"As pessoas já disseram que estão preocupados com os jovens que estão num grande torneio, mas não há razão para isso. Eles estão jogando na melhor liga do mundo, o campeonato mais difícil do mundo, contra jogadores de alta qualidade a cada semana. Mas você precisa de um pouco de experiência também e temos isso neste plantel. Gerard está em grande forma e os rapazes vão precisar de pessoas como ele e Lampard", opinou o ex-jogador David Beckham.

Na reta final de preparação, os ingleses enfrentaram duas equipe sul-americanas - vitória sobre o Peru, por 3 a 0, e empate com o Equador, 2 a 2 - e, por fim, a seleção de Honduras, embarcando para o Brasil com um empate sem gols. No duelo contra os equatorianos, o meia Chamberlain sofreu uma lesão no ligamento do joelho direito e dificilmente estreia contra a Itália, podendo ainda ser cortado da delegação.

A Inglaterra está hospedada no Rio de Janeiro, mas a estreia, sábado, 14, é em Manaus, exatamente a cidade com o clima que os ingleses temiam enfrentar - o elenco chegou até a fazer treinos com várias blusas, para tentar simular o calor. Depois, desce até São Paulo para enfrentar o Uruguai e fecha o Grupo D - uma inédita chave com três campeões mundiais - diante da Costa Rica, em Belo Horizonte.

França

Ribéry, jogador francês, ao lado do técnico Didier Deschamps
O corte de Ribéry foi um duro golpe para o técnico Deschamps, que perdeu sua maior estrela

A França não tem deixado boas impressões nos principais compromissos dentro de campo. Na Copa de 2010, não só foi eliminada na primeira fase com nenhuma vitória como protagonizou um dos casos mais ímpares da história, quando Anelka foi cortado após xingar o técnico Raymond Domenech e os jogadores decidiram não treinar, protestando em forma de greve. Detalhe: a atividade era aberta e a repercussão negativa chegou até ao governo francês, que se incomodou com a forma com que a seleção representou o país.

A forma com que os franceses se portaram na ocasião ainda é tão presente que, às vésperas da Copa, uma empresa promoveu a destruição do ônibus usado na África do Sul, como se quisesse apagar de vez aquelas semanas da memória.

Depois, na Eurocopa de 2012, conseguiu pouca coisa, se classificando com uma vitória em três jogos e caindo nas oitavas de final para a campeã Espanha. No ano seguinte, por muito, muito pouco a equipe não fica fora do Mundial depois de perder o primeiro jogo da repescagem para a Ucrânia e precisar de um 3 a 0 na volta, em casa, para vir ao Brasil. Conseguiu.

A França já não figurava entre as seleções mais cotadas para vencer a Copa do Mundo. E agora ainda tem de conviver com a ausência de seu principal jogador: Franck Ribery, um dos três melhores do mundo segundo a Fifa, conviveu com lesões na segunda metade da temporada europeia e até se apresentou com o elenco que viajou ao Brasil, mas acabou cortado da lista final em razão das dores lombares. Clément Grenier também sentiu lesão na virilha e foi desligado do grupo dias antes do embarque.

"A equipe já estava selada e protegida. Jogamos os dois primeiros amistosos sem ele. Perdemos um jogador de classe mundial, a seleção da França é mais forte com o Ribéry em 100% de condições, mas existem outros jogadores", comentou o técnico Didier Deschamps depois da goleada por 8 a 0 sobre a Jamaica, o último teste francês antes do Mundial.

A França, no Grupo E, não encontra na primeira fase nenhuma seleção com vasto retrospecto em Copas. Treinando em Ribeirão Preto-SP, a equipe estreia diante de Honduras, domingo, 15, em Porto Alegre; viaja para Salvador para encontrar a Suíça; e termina a chave diante do Equador, no Rio de Janeiro.

Em março, a equipe de Deschamps ganhou um amistoso diante da Holanda por 2 a 0; na preparação para a Copa, pegou um trio de seleções que não está no Mundial, goleando a Noruega, empatando com o Paraguai e atropelando a Jamaica.

Espanha

Diego Costa, da Espanha, em treino da seleção
Diego Costa (à direita) atuou no último amistoso e, a princípio, tem condições físicas de jogar a Copa

Há seis anos, a seleção espanhola era uma coadjuvante de luxo no futebol, já que apesar do sucesso de Real Madrid, Barcelona e outros times da liga local, a equipe nacional tinha apenas um título europeu e um isolado quarto lugar na distante Copa de 1950. Era muita expectativa para pouco resultado.

Mas uma geração vitoriosa chegou para vencer a Eurocopa de 2008, a Copa do Mundo de 2010 e a Euro de 2012, uma trinca inédita no futebol europeu. Agora, o elenco com 16 remanescentes do título na África do Sul precisa provar, quatro anos mais velho, que segue forte o bastante para seguir protagonista, principalmente depois da derrota na final da Copa das Confederações, por 3 a 0, diante do Brasil.

"Eles mereceram ser campeões naquele jogo, e nós temos de aprender com aquela derrota. Talvez não fomos para aquele jogo da melhor maneira - fisicamente não estávamos no nosso pico, enquanto eles se mostraram no auge da forma, jogando um ótimo futebol", disse Sérgio Ramos em entrevista ao site da Fifa.

Nas eliminatórias para a Copa, a equipe venceu a concorrência com a França e ganhou a chave com seis vitórias e dois empates. Agora, a maior dúvida sobre a seleção espanhola é saber se ela conseguirá retomar uma forma de jogo eficiente. Além disso, claro, lidar pela primeira vez num Mundial com a responsabilidade de jogar bem e chegar entre os primeiros colocados.

A base da Espanha é aquela conhecida, com cinco nomes que inclusive já superaram a marca de 100 jogos com a camisa da seleção: Casillas, Xavi, Sérgio Ramos, Xavi Alonso e Fernando Torres - Iniesta e Villa estão bem perto disso. E é realmente essa turma experiente que tem sido questionada: Xavi, aos 34 anos, ainda pode conduzir o time? E Torres e Villa, que já não marcam gols como antes, darão conta do recado?

Entre as sete novidades em relação à última Copa, ao menos um pode transformar fortemente o jeito de jogar da equipe. Diego Costa, atacante brasileiro que chegou a ser convocado por Luiz Felipe Scolari há alguns meses, optou por jogar pela Espanha e chega com um estilo diferente dos colegas - um artilheiro com um jogo mais agressivo, forte. Ainda assim, ele conviveu com uma lesão muscular no final da temporada europeia e não vive seu melhor momento físico, apesar de ter atuado por 70 minutos no último amistoso e deixado torcida e comissão técnica otimistas.

Ser campeã mundial não foi o bastante para aliviar a estreia da Espanha na Copa, que recebeu a companhia da Holanda para o primeiro jogo, sexta-feira, 13, em Salvador, na reedição da final da última edição do torneio. Depois, os atuais campeões enfrentam o Chile, no Rio de Janeiro, e a Austrália, em Curitiba, cidade onde o time espanhol escolheu como base para treinos.

Para os dois últimos jogos antes de viajar, dois adversários não muito complicados e duas vitórias: 2 a 0 sobre a Bolívia e repetição do placar frente à equipe de El Salvador.