Brasil está mais maduro e menos entusiasmado com Copa, diz jornal britânico

  • 26 maio 2014
Reuters
Envelhecida e empregada, população tem menos tempo para pensar em jogo, afirma Financial Times

O jornal britânico Financial Times publicou uma análise nesta segunda-feira atribuindo o suposto pouco entusiasmo dos brasileiros com a Copa do Mundo a um amadurecimento da população, que está mais velha e escolarizada do que no passado.

O artigo - assinado pelo diretor do escritório do jornal em São Paulo, Joe Leahy - diz que as decorações de ruas para a Copa "não estão muito em evidência neste ano" e que o "país do futebol talvez agora esteja um pouco mais maduro, com mais coisas na cabeça do que apenas o jogo bonito".

O jornalista sustenta sua tese citando dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística): a população jovem, de 15 a 24 anos, passou de 21% da população em 1980 para 17% agora, enquanto a faixa etária de 25 a 59 anos subiu de 35% para 48% no mesmo período.

O artigo também observa que a proporção de brasileiros com nove ou mais anos de estudo praticamente dobrou na última década e que os adultos estão quase todos ocupados, trabalhando, já que a taxa de desemprego está em nível recorde de baixa.

Outra razão para o desânimo dos brasileiros, segundo o Financial Times, seria o medo de um possível embaraço do país ao sediar o evento por causa da preparação mal feita. Mas o artigo se detém mais na explicação demográfica.

"Os brasileiros estão mais velhos e ocupados do que nas Copas que conquistou décadas atrás. Isso está lhes deixando com menos tempo para pensar em futebol", observa a análise.

O artigo foi publicado ao lado de uma reportagem sobre os "elefantes brancos" – estádios cuja viabilidade financeira é questionável por terem sido construídos em cidades sem times grandes de futebol, como Cuiabá e Manaus.

Um outro problema para essas cidades, destaca ainda o jornal, é que “muitos dos projetos de infraestrutura destinados a impulsionar o desenvolvimento regional foram adiados ou arquivados silenciosamente”.