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'Facebook político' conecta candidatos a eleitores na Europa

Atualizado em  25 de maio, 2014 - 15:30 (Brasília) 18:30 GMT
Logo do GovFaces | Crédito: GovFaces

De olho nas redes sociais, candidatos ao Parlamento europeu incorporaram uma nova ferramenta para conquistar eleitores: o GovFaces, uma espécie de 'Facebook' dedicado exclusivamente a assuntos políticos.

Lançado em março deste ano em Genebra, na Suíça, o site contava, até semana passada, com perfis de 35 candidatos, de 12 países diferentes.

O GovFaces funciona nos mesmos moldes do Facebook, permitindo a políticos dialogar com potenciais eleitores, além de manter perfis com vídeos, tuítes e notícias em suas páginas pessoais.

No site, os usuários podem fazer perguntas e comentários públicos ou enviar mensagens privadas aos candidatos. Os temas variam desde direito do consumidor à atual participação da União Europeia na crise entre Ucrânia e Rússia.

Também é possível avaliar o desempenho do político, dando notas de 1 a 5 sobre temas como Educação e Saúde. Os assuntos mais votados por outros eleitores ganham destaque no site.

"Há uma imensa diferença entre a língua usada nas negociações da ONU, por exemplo, e a que eu uso para conversar sobre política com meus pais durante o almoço. E isso acontece em todos os países do mundo. Queremos mudar esse cenário", afirmou à BBC Brasil Jon Mark Walls, CEO do GovFaces.

Atualmente, a plataforma conta com cerca de 1 mil cidadãos europeus registrados e conectados. Segundo Walls, Facebook e Twitter disseminam conteúdo em massa sem promover real interação entre candidatos e eleitores.

"Os políticos podem responder por vídeo e interagir diretamente com seus constituintes. O impacto é enorme porque, para o eleitor, pode ser emocionante ver um parlamentar responder a uma pergunta sua, chamando-o pelo nome", explicou Tudor Mihailescu, diretor do GovFaces.

Interação online

Pesquisas de mercado realizadas pela start-up durante dois anos revelaram que apenas 7% do conteúdo publicado por políticos e candidatos em suas páginas no Facebook e Twitter correspondiam à "interação significativa" com os eleitores do outro lado da tela.

"Há uma imensa diferença entre a língua usada nas negociações da ONU, por exemplo, e a que eu uso para conversar sobre política com meus pais durante o almoço. E isso acontece em todos os países do mundo. Queremos mudar esse cenário"

Jon Mark Walls, CEO do GovFaces

Além disso, apenas 13% dos eleitores afirmaram encontrar nessas redes sociais informação suficiente sobre as plataformas políticas de seus candidatos.

Os dados ganham contornos alarmantes diante do fato de que 90% dos parlamentares europeus possuem perfil em mídias sociais, quase três vezes mais do que em 2009, segundo estimativas oficiais da União Europeia em Bruxelas.

Enquanto isso, cerca de 50% dos jovens entre 16 e 25 anos de idade no Reino Unido gostariam de ver mais informações sobre política nas redes sociais, de acordo com pesquisa divulgada em maio pela ONG britânica Swing the Vote.

"Acho que tem bastante informação nas redes sociais sobre os candidatos ao Parlamento Europeu, mas é a mesma coisa que um outdoor na rua. Você olha e passa reto, não há diálogo nenhum", disse Emily Keys, 24, estudante de Direito em Londres.

Em entrevista nesta semana ao jornal britânico The Independent, a chefe do departamento de alcance político do Facebook, Katie Harbarth informou que, em 2013, eleições foram o segundo assunto mais comentado na rede social. Em primeiro lugar, apareceram os posts sobre a nomeação do papa Francisco. Diariamente, 26 milhões de pessoas acessam o Facebook no Reino Unido.

Um estudo publicado pela revista Nature, em 2012, também sugeriu que a influência das redes sociais pode ser a melhor maneira de aumentar a participação nas urnas. Segundo a pesquisa, em 2010, o Facebook criou um botão especial para as eleições nos Estados Unidos com a mensagem "I voted" ("Eu votei", em tradução livre), que teria encorajado mais de 300 mil eleitores a votarem.

Nas eleições parlamentares europeias deste ano, a estimativa é de que 27% dos eleitores de primeira viagem não participem das votações.

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