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Resultado de eleição na Ucrânia será respeitado, diz Putin

Atualizado em  23 de maio, 2014 - 18:21 (Brasília) 21:21 GMT
Putin em São Petersburgo (AFP)

Putin fez as declarações em Fórum Econômico de São Petersburgo

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que vai respeitar o resultado das eleições presidenciais na Ucrânia, marcadas para este domingo.

Em pronunciamento durante um fórum econômico em São Petersburgo, Putin afirmou que a Rússia está pronta para trabalhar com quem quer que seja eleito presidente no país vizinho, sob forte influência russa.

"Compreendemos que o povo da Ucrânia quer que o país saia desta crise. Vamos tratar a escolha deles com respeito", disse.

"Teria sido melhor realizar um referendo e adotar uma nova Constituição. Sob a atual constituição, (Viktor) Yanukovych ainda está no poder", acrescentou.

As eleições presidenciais foram convocadas no país depois da deposição de Yanukovych - aliado de Moscou -, em fevereiro, em meio a grandes protestos contra a aproximação da Ucrânia com a Rússia, em detrimento dos laços com a Europa.

Apesar desta ressalva, esta é a primeira vez que Putin indica de forma explícita que vai aceitar o resultado da eleição ucraniana.

Segundo a correspondente diplomática da BBC em Moscou Bridget Kendall, até agora, Putin tinha deixado em aberto a possibilidade de a Rússia questionar o resultado da votação de domingo.

Mas, agora, ele deixou poucas dúvidas sobre sua decisão de aceitar a vontade dos ucranianos, mesmo de uma forma mais relutante, disse Kendall.

"Este parece ser um sinal importante do presidente Putin - uma indicação de que, mesmo que ele não tenha conseguido tudo o que queria, agora quer o fim da crise. Talvez seja para evitar mais sanções do Ocidente, talvez por temer que a violência saia de controle no leste da Ucrânia ou se espalhe além da fronteira para dentro da Rússia."

Parceiros e investidores

De acordo com Kendall, o fato de Putin ter feito esta declaração no Fórum Econômico de São Petersburgo não surpreende. O presidente russo sinalizou o entendimento na presença de alguns dos maiores parceiros e investidores internacionais da Rússia, "uma audiência ávida para ouvir que a crise na Ucrânia não vai afetar suas perspectivas de negócios no longo prazo na Rússia".

"Mas, as intenções de Putin ainda precisam alcançar suas ações. Mais violência na Ucrânia, claro, pode derrubar qualquer plano de paz. E, depois de tudo o que aconteceu, poderá não ser fácil como ele espera conseguir de volta a confiança dos governos ocidentais", disse a correspondente.

"Já funcionou uma vez, depois da rápida guerra da Rússia com a Geórgia em 2008. Mas pode não funcionar de novo", acrescentou.

Violência no leste

Getty

Separatistas partidários da Rússia entraram em confronto com combatentes defensores a Ucrânia

O clima de violência na Ucrânia, principalmente no leste do país, em cidades como Donetsk e Luhansk, prejudicou muito os preparativos para as eleições presidenciais.

Separatistas pró-Rússia advertiram a população contra participar da votação, e autoridades eleitorais e listas de eleitores foram transportadas sob a mira de armas.

Pelo menos 14 soldados do governo foram mortos em confrontos com separatistas partidários da Rússia na região de Donetsk na quinta-feira.

Outros 20 separatistas foram mortos em um ataque contra uma base militar na quinta. Há relatos de mais confrontos nesta sexta-feira, entre separatistas e combatentes que defendem o país na região de Donetsk.

A candidata Yulia Tymoshenko, que está em segundo lugar nas pesquisas de opinião pública, atrás de Petro Poroshenko, pediu a realização de um referendo no mês que vem para decidir se a Ucrânia deve se unir à Otan (aliança militar ocidental), afirmando que esta seria uma "solução estratégica para trazer a paz de volta à Ucrânia".

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse em fevereiro, antes do início da insurgência no leste da Ucrânia, que ainda era possível para o país se tornar membro da organização, desde que a Ucrânia cumprisse os critérios necessários.

Mas o fim das disputas territoriais é uma condição-chave. E o fato de a Crimeia ter sido anexada à Rússia poderá prejudicar qualquer tentativa dos ucranianos de se juntarem à Otan.

Nas declarações desta sexta-feira, Putin também falou de sua preocupação com a possibilidade de a Ucrânia se juntar à aliança ocidental e acrescentou que espera que a liderança em Kiev encerre a ação militar no leste do país.

Putin disse acreditar que a Ucrânia se envolveu em uma "guerra civil completa", mas negou que Moscou esteja por trás dos atos dos separatistas partidários da Rússia.

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