Vice-presidente do COI volta atrás e diz que Rio terá 'excelentes Olimpíadas'

  • 1 maio 2014
  • comentários
John Coates (AP)
A mudança mostra que o COI quer reverter o mal-estar gerado entre organizadores locais após críticas

Dois dias após dizer que os preparativos para os Jogos do Rio 2016 eram os "piores" da história recente, John Coates, vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), voltou atrás.

Em nota, ele disse acreditar que a cidade sediará “excelentes Olimpíadas” e anunciou o cronograma de trabalho até setembro.

A mudança de opinião demonstra uma aparente estratégia interna do COI de reduzir o mal-estar com os organizadores locais e partir para a busca de soluções práticas.

Duas semanas atrás, o presidente do órgão, Thomas Bach, há havia dito numa reunião na Turquia que o COI estava "muito preocupado" e que enviaria especialistas e fiscais para agilizar as obras no Rio.

Uma semana depois, o diretor-executivo do COI para os Jogos Olímpicos, Gilbert Felli, chegou à capital fluminense. Foi durante sua visita à cidade, na terça-feira, que Coates emitiu duras críticas, num encontro em Sydney, na Austrália.

Trabalho conjunto

As declarações rodaram o mundo. Pouco depois, tanto o departamento de imprensa do Comitê Organizador Local Rio 2016 quanto o do COI, na Suíça, se apressaram em tentar controlar a situação, dizendo que Felli estava sendo informado dos progressos e que agora era a hora de partir para o trabalho em conjunto.

Grande parte das obras previstas para as Olimpíadas está atrasada e algumas sequer foram iniciadas.

O Complexo de Deodoro, na Zona Norte do Rio, que deve sediar provas de oito modalidades, teve somente neste mês o processo de licitação concluído.

Há problemas em torno do orçamento, ainda incompleto, e no início do mês as obras do Parque Olímpico foram interrompidas devido a greves.

“Após minhas declarações ontem sobre os Jogos do Rio, quero sublinhar que ainda acredito que o Comitê Organizador Local e o povo do Brasil podem, de fato, entregar Olimpíadas excelentes em 2016”, disse Coates.

Ele voltou a citar medidas recentes, já destacadas na terça-feira no comunicado de imprensa do COI, e pela primeira vez chamou a missão de Gilbert Felli no Rio como uma “IOC Taskforce”, ou seja, uma “Força-tarefa do COI” – algo que o comitê internacional julgou imprescindível dado o atraso na organização.

Iniciativas

Obras das Olimpíadas (Reuters)
Atraso na maior parte dos preparativos dos Jogos preocupa os dirigentes do COI

Entre essas iniciativas, estão forças de trabalho conjuntas (do COI) com os organizadores; recrutamento de um gerente local de obras; a criação de um órgão decisório de alto nível aliando COI, governos e todos os parceiros-chave do projeto; e mais visitas regulares de Gilbert Felli.

“O (Comitê Local) Rio 2016 está lidando com as preocupações específicas das 17 Federações Internacionais que foram levantadas junto aos organizadores numa reunião na Turquia em abril com relação aos locais de competição e ao progresso (dos preparativos) em geral”, complementou Coates.

“Felli e os organizadores criaram um cronograma de trabalho para ser realizado de agora até a próxima reunião da Comissão de Coordenação do COI, que será realizada no final de setembro”.

Coates citou o comunicado do Comitê Local, e disse concordar com a confiança de que o “Rio sediará Jogos excelentes e que serão entregues absolutamente dentro dos prazos e do orçamento”.

“O prefeito (Eduardo Paes), o governo brasileiro e Comitê Organizador Local têm nosso apoio total e como eu disse ontem, não há plano B. Nós temos que fazer isso acontecer trabalhando juntos nos próximos dois anos”, concluiu.

Contraste

Na terça-feira, John Coates criticou a ausência de respostas claras dos organizadores. "Ninguém é capaz de dar respostas neste momento", disse.

Coates, que acumula 40 anos de experiência em Jogos Olímpicos e foi chefe do comitê organizador local da Olimpíada de Sydney, em 2000, já fez seis viagens ao Rio como parte da comissão responsável pela supervisão dos preparativos.

"Acho que a situação é pior do que em Atenas (em 2004). Até agora, os preparativos da capital grega haviam sido os piores que eu já vi."

"Nós ficamos muito preocupados. Eles não estão prontos em muitas, muitas formas. Nós temos de fazer (esse evento) acontecer e essa é a decisão do COI. Não podemos simplesmente ignorar essa situação", acrescentou ele.

Ele afirmou que a construção nem começou em alguns locais no Rio, no que serão os primeiros Jogos Olímpicos na América do Sul, enquanto o cronograma de infraestrutura sofreu atrasos significativos e a cidade possui "questões sociais que precisam ser resolvidas".