Premiê de Israel diz que Abbas deve abandonar acordo com Hamas

  • 24 abril 2014
Binyamin Netanyahu (AP)
Netanyahu disse que não negociará com um governo palestino apoiado pelo Hamas

O Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, deve abandonar o seu pacto com o Hamas se quiser alcançar um acordo de paz, disse o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, em entrevista à BBC.

Israel suspendeu as negociações de paz com os palestinos nesta quinta-feira em resposta a um acordo de união entre os grupos Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e o Fatah, liderado por Abbas e que administra áreas na Cisjordânia sob controle palestino.

A decisão foi tomada após uma reunião de seis horas do gabinete de segurança de Israel, presidida por Netanyahu.

As facções palestinas dizem que vão tentar formar um governo de união em cinco semanas e, depois, realizar eleições.

A divisão entre os grupos palestinos teve início após o Hamas, que venceu as eleições parlamentares em 2006, ter expulsado forças leais a Abbas e ao Fatah na Faixa de Gaza durante confrontos em 2007 e estabelecido um governo rival.

'Sem o direito de interferir'

Netanyahu disse ao editor da BBC para o Oriente Médio, Jeremy Bowen, que Abbas pode "ter paz com Israel ou um pacto com o Hamas - mas não pode ter os dois".

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Segundo ele, Israel só irá retomar as negociações de paz com os palestinos "quando eles decidirem abandonar o caminho do terror".

"Enquanto eu for o primeiro-ministro de Israel, eu nunca vou negociar com um governo palestino que é apoiado por terroristas do Hamas que estão pedindo a nossa destruição", disse o premiê.

O negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, disse que a reconciliação palestina é uma questão interna.

"Israel não tinha o direito de interferir nesta questão", disse ele à agência de notícias Associated Press.

O primeiro-ministro do governo do Hamas em Gaza, Ismail Haniya, disse que não ficou surpreso com a decisão de Netanyahu.

"A posição israelense foi a esperada. Isto é ocupação e claro que eles não querem que o povo palestino esteja unido e quer que a divisão continue", disse ele.

O Fatah, de Abbas, fez um acordo de reconciliação com o Hamas

Mais cedo, Abbas disse que "não há incompatibilidade entre a reconciliação e as negociações" e que ele estava comprometido com a paz baseada em uma solução de dois Estados.

Correspondentes disseram que as últimas ações poderiam ser um golpe fatal nas negociações de paz mediadas pelos EUA, que foram retomadas em julho após três anos.

As negociações já estavam à beira do colapso depois de ambos os lados terem tomado o que Washington chamou de "ações inúteis" no início deste mês.

Desde então, Washington tenta que as negociações prossigam além de terça-feira, prazo dado para um acordo final no ano passado.

'Medidas adicionais'

Israel, juntamente com os EUA e a UE, considera o Hamas um grupo terrorista. Por sua vez, Hamas se recusa a reconhecer o Estado de Israel.

Em um comunicado divulgado após a reunião do gabinete de segurança na quinta-feira, Netanyahu chamou o acordo de reconciliação de "uma continuação direta da recusa palestina em avançar nas negociações".

Ele disse que Israel iria tomar "uma série de medidas adicionais" em resposta a "movimentos unilaterais" dos palestinos, mas não forneceu mais detalhes.

Israel já disse que irá deduzir o pagamento da dívida de impostos recolhidos em nome da Autoridade Palestina e limitar o seu acesso a depósitos em bancos israelenses.

A decisão foi tomada após Abbas ter solicitado adesão a 15 tratados e convenções da ONU como resposta à negativa de Israel de libertar um grupo de 26 prisioneiros palestinos.

Erekat disse à agência de notícias AFP que a liderança palestina "analisaria todas as opções para responder às decisões do governo de Israel contra a Autoridade Palestina".

Um alto funcionário dos EUA disse que a Casa Branca será forçada a reconsiderar a sua ajuda aos palestinos se Hamas e Fatah formarem uma administração em conjunto.

"Qualquer governo palestino deve inequivocamente e explicitamente se comprometer com a não-violência, o reconhecimento do Estado de Israel e a aceitação de acordos e obrigações anteriores entre as partes", disse a autoridade à agência Reuters.