Quem inventou a caixa-preta?

  • 16 abril 2014
Caixa-preta (AP)
Caixa-preta permite que analistas expliquem 9 em 10 acidentes aéreos

A caixa-preta revolucionou a aeronáutica.

Segundo as normas internacionais de aviação, as caixas-pretas são obrigatórias em todos os voos comerciais, já que registram os dados de viagem e são fundamentais na investigação de acidentes aéreos.

Graças a elas, nove em cada dez acidentes podem ser explicados. Por isso, há um enorme esforço nas buscas pela caixa-preta do voo MH370 da Malaysia Airlines, desaparecido há um mês.

Assim como em outras invenções sofisticadas, a caixa-preta não tem um inventor único, mas o primeiro protótipo data de 1939 e foi desenhado pelo engenheiro francês François Hussenot.

Tratava-se de uma caixa rudimentar feita de filme fotográfico equipada com espelhos. Os sensores a bordo jogavam flashes em um filme fotográfico e, assim, o histórico do voo era gravado.

Ciente da importância de sua invenção, acredita-se que Hussenot escondeu a invenção do Exército alemão, enterrando-a perto de uma praia no Oceano Atlântico em junho de 1940.

A guerra aperfeiçoou a tecnologia, que foi estendida a voos comerciais de todo o mundo.

Depois da guerra, alguns dispositivos utilizavam fotografia e outros imprimiam os dados em bobinas de alumínio.

Áudio

Mas nenhum equipamento ainda gravava o áudio a bordo.

Por isso, a caixa-preta propriamente dita é obra do químico e engenheiro de aviação australiano David Warren. Em 1953, sua ajuda foi solicitada para esclarecer a causa de uma série de acidentes aéreos.

Especialistas tentavam entender por que vários aviões Comet tinham caído sem nenhuma explicação, o que colocou em dúvida o futuro dos voos comerciais.

Um ano depois, Warren propôs a instalação de um dispositivo de gravação da cabine do piloto. Em 1958, Warren produziu o protótipo da "Unidade de Memória de Voo".

Essa primeira versão era um pouco maior do que a mão de um adulto, mas capaz de gravar quatro horas de conversas de cabine e leituras dos controles. A versão de Warren gravava o áudio em uma bobina de aço magnetizada.

Para surpresa de Warren, o dispositivo foi inicialmente rejeitado pelas autoridades de aviação, que encontraram "pouco benefício direto e imediato a aeronaves civis", enquanto pilotos disseram que era um "Big Brother" de espionagem.

Quando Warren levou sua invenção ao Reino Unido, foi recebido com entusiasmo e, depois de uma reportagem da BBC, fabricantes começaram a interessar-se pelo dispositivo.

Enquanto isso, nos EUA já havia investigações sobre o aparelho e, em 1960, se davam os primeiros passos para fazer com que o dispositivo fosse obrigatório.

Em meados dos anos 1960, os gravadores de voo - de dados e de voz – tornaram-se obrigatórios para aviões comerciais.

Atualmente, computadores substituíram a fita magnética e os aparelhos podem gravar mais dados e têm maior probabilidade de sobreviver a um impacto.

Nem caixa, nem preta

A caixa-preta é, na verdade, dois dispositivos: o gravador de dados de voo do avião e de voz da cabine. Ambos são montados na cauda.

Ela não tem que ter o formato de uma caixa. De acordo com os regulamentos da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos, o dispositivo pode ter uma variedade de formas - incluindo esferas e cilindros - desde que não seja muito pequeno, para que seja encontrado nos destroços do avião em caso de acidente.

Atualmente, todas as caixas-pretas têm de ser laranja para serem facilmente localizadas.

Uma possível explicação para a designação "preta" é que o dispositivo funcionava como uma câmera e, por isso, seu interior deveria ser totalmente escuro.

O nome "caixa-preta" poderia ter vindo também após um funcionário do governo britânico, em 1958, se referir ao aparelho usando a gíria da Segunda Guerra Mundial para os equipamentos de aeronaves.

Elas são feitas de materiais duráveis, como titânio, e isoladas para resistir a um impacto de choque muitas vezes superior à força da gravidade, a temperaturas acima de 1000 °C até 30 minutos e à imensa pressão do fundo do mar.

As medidas foram implantadas para garantir, em teoria, que investigadores de acidentes possam recuperar as gravações, compilar um quadro completo dos últimos momentos de um avião e, em seguida, explicar exatamente o que deu errado.