Tumulto e violência marcam remoção em 'favela da Telerj' no Rio

  • 11 abril 2014
Reuters
80 militares e 1,5 mil PMs removeram as 6 mil famílias em três horas

Cerca de 80 militares e mais de 1,5 mil policiais removeram mais de 6 mil famílias que haviam invadido um terreno de 50 mil metros quadrados no bairro de Engenho Novo, na Zona Norte do Rio, na manhã desta sexta-feira. Marcada por tumulto e confrontos, a operação deixou dezenas de feridos, entre eles três crianças. Ônibus e carros foram incendiados, um supermercado foi saqueado, e ao menos 20 pessoas foram detidas.

No início da tarde desta sexta-feira, cerca de 50 pessoas seguem reunidas em um protesto diante do terreno e ainda há focos de incêndio nos prédios. A situação é muito mais tranquila, mas ainda não está totalmente sob controle e há relatos de provocações por parte da população e ações truculentas da polícia.

De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfico), ainda há bloqueios em algumas ruas da região e os distúrbios afetam o trânsito em outras partes da cidade. Também houve problemas no transporte público e a concessionária Supervia reforçou a segurança em torno das estações ferroviárias.

A retirada começou por volta das 5h da manhã quando as forças de segurança chegaram ao local. Houve resistência da população, que ateou fogo a partes dos prédios e a quatro ônibus, um carro e dois caminhões. Um supermercado do bairro foi invadido e saqueado.

O terreno abriga prédios abandonados onde funcionava um almoxarifado da empresa de telecomunicações Oi (antiga Telerj) e segundo a empresa era cercado por grades e seguranças. Na semana passada, uma liminar judicial já havia concedido a reintegração de posse, mas a decisão só foi cumprida nesta sexta.

A ocupação teve início no final de março e já durava 11 dias. Em apenas quatro dias as famílias já haviam erguido barracos no local, até mesmo sobre as lajes dos edifícios, e a ocupação já contava com ligações de água e energia elétrica clandestinas.

Segundo a PM, a retirada das cerca de 6 mil famílias levou três horas. Ainda durante a operação, um repórter do jornal O Globo foi preso por filmar a ação da polícia.