Liberdade: leitores expõem seus versos sobre o tema

  • 2 abril 2014
Imagem registrada no Rio de Janeiro (Filipe Félix)
Leitor Filipe Félix, além de poemas, enviou também fotos, como esta imagem registrada no Rio de Janeiro

Liberdade: esse foi esse o tema dos vários poemas assinados por nossos leitores e enviados à BBC Brasil nas últimas semanas

A BBC Brasil havia pedido, por meio das redes sociais, que nossos leitores mandassem poesias de sua autoria sobre o tema, dentro da temporada Freedom 2014 (Liberdade 2014), em que a BBC publicou uma série de reportagens, vídeos, galerias de fotos e obras artísticas sobre a liberdade.

Foram vários poemas, de diferentes formatos e distintos tratamentos a respeito do tema.

Após uma seleção realizada pela equipe da BBC Brasil, os poemas que mais se destacaram, tanto pela originalidade, como pela simplicidade, foram os de Marcos Kazuo Shoya, Filipe Cunha e Adilson Vilaça.

Marcos cunhou dois breve poemas inspirados no formato de haicais - um estilo poético de origem japonesa que se caracteriza pela concisão e a objetividade.

Os poemas costumam ter não mais que três versos e muitas vezes falam de impressões e do efeito da natureza sobre o observador. Nos dois poemas enviados à BBC Brasil, Marcos concilia tais características com a descrição de cenas do cotidiano, como a de um dia de trabalho.

Entre os poetas brasileiros que se inspiraram nos haicais figuram o paranaense Paulo Leminski, por exemplo, que chegou a escrever uma biografia de Matsuo Bashô, um dos mestres do estilo.

Liberdade (1)

O pássaro voaolhando lá do altoo turista à toa.

Liberdade (2)

Saiu da empresapela porta da frente.Suspiro e alíviotirou dos pulsoso relógio que o prendia...

Entre outros destaques, estão o poema em prosa "Sabe Josoé?", de Filipe Cunha. Josoé é um jovem humilde cuja vida termina de forma súbita e trágica:

Sabe Josoé?

Foi o primeiro da sua escola a aprender a lerFoi o primeiro do bairro a pendurar um par de sapatos no fio, mesmo que arrependidoFoi o primeiro de sua rua a andar de bicicleta sozinho, sem rodinhasFoi o último a tocar em uma armaFoi o primeiro que correu, e que, ainda assim, errou de caminhoSabe Josoé?Morreu.

Filipe é também autor da foto que ilustra esta reportagem.

Adilson Vilaça, que se diz descendente do povo indígena Krenak, dedica seu Nossa Canção da Liberdade, "aos índios em geral e ao povo Krenak, em especial".

Seus versos giram em torno do que chama de o "grande massacre" enfrentado pelos povos indígenas:

Nossa Canção da Liberdade

No sangue derramado me diluo de luta desarmada, feroz teço atroz a minha morada Sou um povo sem curral um território sem mapa sem escudo sem capa amazonense andino antilhano lhano cidadão do mundo.

Agradecemos a todos que nos prestigiaram, enviando poemas extensos, breves, versos em prosa, sonetos ou haicais.

Esperamos ter feito justiça ao esforço e ao carinho dos nossos leitores, mas não encaramos o processo como uma competição, mas sim como uma forma de ajudar a revelar talentos poéticos.

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