Avós italianos são processados por 'intromissão' na vida dos netos

  • 30 março 2014
Avós italianos processados por filha | Crédito: Marcelo Crescenti
Avó e neto em parque na Itália: processo põe conflito de gerações à mostra

Um casal de avós italianos foi processado pela própria filha, acusado de tentar influenciar demais a educação dos netos. Se condenados, eles podem ser obrigados a se afastar das crianças.

A mãe das crianças, de três e dez anos de idade, respectivamente, acusa os próprios pais de se intrometerem em demasia na vida de seus filhos.

Patrizia, de 42 anos (o sobrenome não é divulgado para proteger a família), diz que seus pais se comportam de maneira “invasiva”.

Segundo a mulher, eles queriam influenciar a educação das crianças e ter acesso permanente aos netos.

Quando reclamou da insistência, conta, seus pais passaram a perseguir obstinadamente a família, tocando a campainha, ligando e mandando inúmeros torpedos.

O conflito culminou em um processo penal contra os avós, que tem quase 70 anos de idade. O tribunal de Modena deverá julgar se o comportamento do casal se enquadra na lei italiana contra "stalking" ou perseguição persistente.

Trata-se de um caso inédito na Itália: na maioria das vezes, a lei é aplicada em circunstâncias diferentes, por exemplo, quando um ex-marido persegue a ex-mulher, ou quando um fã tem obsessão por um artista e fere sua privacidade.

O advogado de Patrizia, Duccio Cerfogli, declarou ao jornal italiano Corriere della Sera que os avós também teriam buscado a neta no jardim-de-infância sem o conhecimento prévio da filha e ligado para o pediatra da menina para falar mal da mãe.

Já o advogado dos avós diz que eles ficaram estupefatos com o fato de estarem sendo processados e não entendem a acusação da filha. Eles negam que tenham perseguido a família e dizem que queriam apenas ver os netos.

O serviço social local tentou uma mediação do conflito e propôs que os avós visitassem os netos por um certo período de horas, o que foi negado pela mãe. Agora, o tribunal deverá julgar o caso.

Se condenados, eles poderiam ser obrigados a permanecer afastados das crianças e evitar qualquer contato com elas.