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Em Paris, chanceler brasileiro defende diálogo para crise na Crimeia

Atualizado em  19 de março, 2014 - 09:17 (Brasília) 12:17 GMT
Figueiredo e Fabius durante entrevista coletiva nesta quarta-feira

Figueiredo (esq.) esteve em Paris para acordos sobre ponte à Guiana Francesa

Em visita oficial à França, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo, evitou nesta quarta-feira se aprofundar na questão da crise na Ucrânia e voltou a defender que o assunto deve ser resolvido através do diálogo.

Figueiredo reuniu-se na manhã desta quarta-feira com seu homólogo francês, Laurent Fabius. Após o encontro, os dois deram uma entrevista coletiva na qual o ministro brasileiro evitou condenar a possível anexação da Crimeia à Rússia, a exemplo do que fizeram os Estados Unidos e a União Europeia.

Na terça-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, assinou com os líderes da Crimeia um tratado que estabeleceria a incorporação da península à Rússia, após o referendo de domingo no qual a opção pela união à Rússia recebeu o apoio de cerca de 97% dos eleitores.

A Rússia não reconhece o atual governo ucraniano - que derrubou o ex-presidente do país, Viktor Yanukovych - e está em rota de colisão diplomática com os Estados e a Europa, que rejeitaram o referendo na Crimeia e impuseram sanções contra dirigentes russos e políticos ucranianos pró-Rússia.

"A Ucrânia é um país amigo do Brasil", disse Figueiredo, respondendo de maneira vaga às questões relacionadas à crise ucraniana. O ministro afirmou que é preciso "respeitar a democracia e a vontade do povo ucraniano", e evitou falar sobre a movimentação política dos russos na região.

O atual governo ucraniano vem condenando de maneira contundente o que chama de ingerência dos russos em sua política interna e acusa os vizinhos de terem invadido militarmente suas fronteiras. Além disso, a Ucrânia já afirmou diversas vezes que não aceitará a anexação da Crimeia pela Rússia.

Ao fim da coletiva, o ministro brasileiro falou rapidamente com jornalistas brasileiros, mas encerrou a conversa no momento em que foi indagado a ser mais claro sobre a situação na Ucrânia.

O principal objetivo da reunião entre Luiz Alberto Figueiredo e Laurent Fabius foi a assinatura de uma série de acordos para a regulamentação do tráfego rodoviário pela futura ponte que ligará o Oiapoque, no Amapá, a São Jorge do Oiapoque, na Guiana Francesa.

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