Crimeia declara 'independência' e pede anexação à Rússia

  • 17 março 2014
Soldados pró-Rússia montam guarda do lado de fora de uma base militar na cidade ucraniana de Perevalne, em imagem do dia 17 de março de 2014 (AP)
Políticos europeus teriam divergências sobre as sanções a serem adotadas contra autoridades russas

O Parlamento da Crimeia declarou formalmente que a região se separou da Ucrânia e pediu ao Kremlin para ser anexada à Rússia.

A ação veio após o polêmico referendo de domingo, em que, segundo autoridades locais, quase 97% dos eleitores votaram pela separação da Ucrânia.

Ainda segundo as autoridades locais, 83% dos eleitores participaram do pleito.

O governo da Ucrânia descreveu a votação como um "circo" e disse que não reconhece o resultado.

A União Europeia (UE) e os Estados Unidos disseram que a votação foi ilegal e que devem adotar sanções contra a Rússia.

A Rússia afirma que a votação atendeu às leis internacionais.

Enquanto as urnas estavam sendo fechadas no domingo à noite, a Casa Branca disse que a comunidade internacional ''não reconhecerá os resultados de uma votação realizada sob ameaças de violência" e descreveu as ações da Rússia, acusada de incitar o separatismo na região desde a derrubada do presidente ucraniano pró-Rússia Viktor Yanukovych, como "perigosas e desestabilizantes".

Vistos e bloqueios de bens

O primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov, deve viajar para Moscou nesta segunda-feira para pedir formalmente que a região passe a fazer parte da Rússia.

Para esta segunda-feira também estava previsto um encontro entre ministros de Relações Exteriores de países da UE para decidir uma possível ação retaliatória contra a Rússia.

O bloco formado por 28 países está estudando a possibilidade de vetar vistos e bloquear bens de diversas autoridades russas.

A União Europeia já havia suspendido negociações com a Rússia sobre um pacto econômico e sobre a redução de restrições à concessão de vistos.

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, disse em entrevista à BBC que está confiante de que a União Europeia irá impor restrições contra políticos russos e da Crimeia.

Michael Fuchs, vice-líder parlamentar do CDU, partido que controla o governo de coalizão da Alemanha, defendeu que os alemães deveriam reduzir suas compras de gás da Rússia.

Divergências

Segundo o editor para Europa da BBC, Gavin Hewitt, ainda não está claro se o alvo das restrições a serem impostas pela União Europeia seriam políticos envolvidos com a tomada da Crimeia ou membros do círculo interno do presidente Vladimir Putin.

De acordo com Hewitt, há divisões entre os 28 países. Uns argumentam que se o bloco europeu não agir com firmeza contra as autoridades russas, isso poderá ser visto como um sinal de fraqueza. Outros dizem que Bruxelas não poderá impor sanções contra pessoas com quem ela terá de negociar mais cedo ou mais tarde.

Cerca de 58% dos habitantes da Crimeia são de etnia russa. Os demais moradores da região são ucranianos e tártaros.

Muitos dos tártaros com quem a reportagem da BBC conversou na região boicotaram a votação e afirmam que a vida sob o Kremlin seria pior.

Os tártaros foram deportados em 1944 para a Ásia Central por Josef Stálin, o então líder da União Soviética, e só conseguiram regressar à Ucrânia após o fim do império soviético. Muitos deles querem que a Crimeia permaneça ligada à Ucrânia.

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