Sete hipóteses sobre o Boeing desaparecido na Ásia

  • 17 março 2014
Ministro dos Transportes da Malásia Hishammuddin
Segundo ministro dos Transportes da Malásia, Austrália vai liderar buscas no 'corredor sul'

O desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines há mais de uma semana deu origem a inúmeras teorias sobre o que aconteceu com o avião.

A última comunicação do Boeing 777 com autoridades em solo ocorreu quase uma hora após a decolagem da capital da Malásia, Kuala Lumpur. A previsão era de que a aeronave chegasse a Pequim seis horas depois.

Nesta segunda-feira, o governo da Austrália afirmou que vai liderar as buscas no "corredor sul", no Oceano Índico, uma das possíveis rotas que o avião teria percorrido após o último contato com a torre de controle.

Segundo autoridades da Malásia, as últimas palavras da cabine ("Tudo bem, Boa Noite") foram ditas após o Aircraft Communications Adressing and Reporting System, mais conhecido pela sigla ACARS, que transmite informações da aeronave para o controle de tráfego aéreo em solo, ter sido deliberadamente desligado.

Com base nas informações divulgadas até agora, a BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, preparou uma lista com sete hipóteses relacionadas ao desaparecimento, algumas delas já comprovadas, outras, já descartadas.

O avião pode ter sido sequestrado – Incerto

No último sábado, o primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, disse que a investigação sobre o avião "entrou numa nova fase" e que ele havia ordenado uma investigação criminal sobre o incidente.

Segundo Razak, os registros de satélite e de radar revelam que a aeronave mudou de rota e poderia ter voado por até sete horas após o último contato com o controle de voo em terra.

"Os movimentos são consistentes­­­ com a ação deliberada de alguém no avião", acrescentou Razak.

Apesar das indicações, o premiê malaio evitou usar a palavra "sequestro" e afirmou que "todas as possibilidades" estão sendo investigadas.

Ele acrescentou que o avião poderia estar em qualquer lugar do "Cazaquistão ao Oceano Índico".

Razak afirmou ainda a investigação está focada agora nos dois pilotos, assim como nos passageiros e no restante da tripulação. Os controladores de voo que estiveram em contato com a aeronave também estão sendo investigados.

O premiê definiu o desaparecimento do avião como uma "situação sem precedentes".

O avião voou por horas depois de perder o contato - Verdadeiro

A Inmarsat, empresa de comunicações por satélite com sede em Londres, disse que suas redes detectaram "sinais automáticos do voo MH 370 da Malaysia Airlines". A companhia diz ter "contatos de negócios" com a Boeing, fabricante do avião.

"Essa informação foi dada ao nosso parceiro SITA (empresa que vende os serviços de satélite da Inmarsat às companhias aéreas), que, por sua vez, compartilhou com a Malaysia Airlines", disse a empresa.

"Podemos dizer com um alto nível de certeza que as comunicações de avião foram desativadas antes de atingir a costa leste da península da Malásia".

O comentarista de ciência da BBC, Jonathan Amos, explica que isso significa que o avião possuía um sistema de satélites que lhe permitiu transmitir informações para autoridades em solo durante o voo.

"O sistema operado pela empresa Inmarsat recebeu sinais automáticos do voo MH370 por pelo menos cinco horas após o avião ter sido dado como desaparecido. Não há nenhuma possibilidade de a aeronave tivesse sido capaz de enviar tal sinal a não ser que estivesse intacta e em funcionamento" .

Amos acrescentou que, embora esses satélites possam receber dados variados, os sinais não oferecem informações detalhadas sobre sua localização.

"Essas transmissões automatizadas são essencialmente uma mensagem como "estou vivo", explica Amos. Ou seja, indicam o estado dos motores e o voo, mas é impossível identificar a posição precisa da aeronave durante a transmissão.

O avião está, com certeza, no Oceano Índico - Falso

Apesar de relatos indicando que o avião voou várias horas a mais do que se pensava, não se sabe exatamente qual foi a rota percorrida pelo aparelho.

No sábado, Razak, o premiê malaio, afirmou que a aeronave pode ter retornado ao país e depois seguido em direção à Índia.

Anteriormente, os especialistas pensavam que o Boeing teria percorrido cerca de 1,6 mil quilômetros rumo ao oeste do Oceano Índico, depois de ter voado por várias horas.

O premiê disse que agora as investigações apontam para dois caminhos possíveis: um corredor norte, que se estende do norte da Tailândia até o Cazaquistão, e um corredor sul, da Indonésia até o Oceano Índico.

No domingo, Razak pediu a cooperação de todos os países situados ao longo das possíveis rotas da aeronave.

Na última quinta-feira, os Estados Unidos enviaram um sofisticado equipamento de monitoramento para o Oceano Índico para ajudar na busca pelo avião.

O avião, com certeza, se desintegrou sobre o Mar do Sul da China - Falso

No sábado, o premiê malaio afirmou que as operações de busca pelo avião foram encerradas no Mar do Sul da China.

Pela rota original, a aeronave deveria ter sobrevoado o Camboja e o Vietnã.

O Boeing sumiu quando atravessava a fronteira dos espaços aéreos entre a Malásia e o Vietnã.

Inicialmente, as buscas se concentraram inicialmente no Mar da China Meridional, ao sul da península vietnamita de Ca Mau.

Mas dias depois do desaparecimento, o chefe da Força Aérea da Malásia indicou que um objeto não identificado havia aparecido em radares militares sobre o estreito de Malaca, a centenas de quilômetros do ponto onde ocorreu o último contato da aeronave e a uma longa distância de sua rota planejada.

Em seguida, a área de buscas foi ampliada para incluir o estreito.

China encontrou destroços do avião - Incerto

Quadro de chegadas e partidas no aeroporto de Kuala Lumpur | Crédito: Reuters
Últimas palavras do piloto foram ditas depois que sistema de comunicação foi desligado

Na semana passada, autoridades chinesas divulgaram imagens de satélite que mostram destroços - que pareciam ser de um avião - no Mar do Sul da China.

Em seguida, o ministro interino dos Transportes da Malásia, Hishammuddin Hussein, negou que as imagens fossem do voo MH370. Ele acrescentou que a embaixada chinesa em Kuala Lumpur havia afirmado que as imagens eram "um erro".

Mas o governo chinês não confirmou a versão de Hussein e, de acordo com a televisão estatal daquele país, um navio de guerra continua a procurar destroços na área. Relatórios sugerem que a Malásia não conseguiu analisar as imagens corretamente.

Dos passageiros a bordo, 153 eram chineses, e Pequim vem pressionando a Malásia para intensificar as buscas pela aeronave.

Na sexta-feira, sismólogos chineses disseram que tinham provas de um "evento no fundo do mar" ocorrido cerca de 90 minutos depois que o avião desapareceu.

Eles identificaram vibrações que poderiam ter sido causadas pela entrada da aeronave no oceano.

Erro humano ou suicídio dos pilotos causou o desaparecimento do avião - Incerto

Mau tempo, erro humano ou falha técnica são alguns dos fatores mais comuns por trás de acidentes aéreos.

O inspector-geral da Polícia da Malásia, Khalid Abu Bakar, disse que as investigações se baseiam em quatro frentes: sequestro, sabotagem, problemas psicológicos entre passageiros e tripulantes e problemas pessoais entre passageiros e tripulantes.

Mas até agora o que se sabe é que as condições climáticas do voo eram boas, e o capitão, Ahmad Shah, de 53 anos, possuía mais de 18 mil horas de voo e trabalhava na companhia aérea desde 1981.

Embora a investigação inicialmente não tenha encontrado indícios que indiquem que Shah ou o copiloto Fariq Hamid teriam cometido suicídio, autoridades informaram que a investigação se concentrará na história de ambos e no resto da tripulação e passageiros.

A Malaysia Airlines mantém um bom histórico de segurança e informou que o avião, um Boeing 777 -200ER, tem um dos registros mais seguros da tecnologia moderna.

Um ataque terrorista explodiu o avião - Incerto

Parentes dos passageiros do voo MH370 fazem vígilia | Crédito: Getty
Localização do avião com 239 passageiros a bordo ainda é um mistério

"É muito incomum uma aeronave desaparecer", explica à BBC David Gleave, especialista que investiga acidentes aéreos.

"Normalmente contamos com informações dos localizadores de emergência e das unidades de sinais acopladas às caixas-pretas para nos ajudar a encontrar um avião desaparecido", diz ele. "É altamente atípico que uma aeronave desapareça dos sistemas de radar tão rápido."

Gleave acrescenta que "um avião pode desaparecer do radar apenas se ocorrer um evento súbito".

"Mas nesse caso esperaríamos algo como uma despressurização ou um ataque terrorista. Isso causaria uma queda relativamente lenta e apareceria no radar. Ou o piloto poderia comunicar algo para o controle de tráfego aéreo por transponder ou por voz", disse.

Os relatórios iniciais sugeriam que todos os sinais da aeronave foram perdidos simultaneamente. Com base nessas informações, especulou-se que o avião tenha se desintegrado em alta altitude, devido à explosão de uma bomba.

Porém, a única certeza, oito dias após o vôo MH370 desaparecer com 239 pessoas a bordo, é que ninguém sabe onde o avião está ou qual foi a causa de seu sumiço.

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