Eleitores da Crimeia querem anexação pela Rússia, diz pesquisa

  • 16 março 2014
Manifestantes pró-Russia aguargam resultado de referendo em Simferopol (foto: Reuters)
Ocidente aguarda resposta da Rússia a resultado de referendo para adotar ações

A votação do referendo para decidir se a região da Crimeia será ou não anexada à Rússia foi encerrada às 15h (20h no horário local) deste domingo. Avaliações iniciais indicam que o índice de comparecimento às urnas foi superior a 80%.

Agências de notícia russascafirmaram que pesquisas de boca de urna apontam que 93% dos eleitores votaram pela união com a Rússia.

O resultado esperado por analistas é que os eleitores da região tenham escolhido a anexação pela Rússia. Os cidadãos de origem étnica russa formam 58% da população da região. As minorias ucraniana e tártara decidiram boicotar a votação. O número total de pessoas aptas a votar chega a 1,5 milhão

Milhares de manifestantes partidários da Rússia fizeram atos por toda a Ucrânia. Na cidade de Donetsk, no leste do país, um desses grupos invadiu o prédio da Promotoria e o das forças de segurança para exigir a libertação de um ativista que havia sido preso na semana anterior.

Em Simferopol, capital da Crimeia, uma multidão favorável à anexação aguarda na praça principal pelos primeiros resultados das urnas.

Na cédula de votação os eleitores foram questionados se desejam que a Crimeia volte a fazer parte da Rússia.

Uma segunda questão questionava se a Ucrânia deveria retornar ao status que tinha na Constituição de 1992, quando a Crimeia tinha mais autonomia.

Não havia opção para aquele que desejam que a situação constitucional permaneça sem alterações.

“A Rússia vai nos defender e proteger”, disse a professora Olga Koziko após votar. A eleitora disse ser favorável a Moscou por não querer ser governada “pelos nazistas que tomaram o poder em Kiev”.

Partidários da Rússia na Crimeia vêm fazendo nos últimos dias propaganda que afirma à população que a revolução de Kiev foi conduzida por facistas, e os compara ao nazismo.

A revolução que derrubou o governo no fim de fevereiro foi deflagrada pela recusa do então presidente Viktor Yanukovych de um acordo que aproximaria a Ucrânia da União Europeia.

Reação

A reação dos Estados Unidos e da União Europeia foi classificar o referendo da Crimeia como ilegal e dizer que não irão reconhece-lo.

O governo de Kiev afirmou ter acordado uma trégua com Moscou até o próximo dia 21 de março. O cerco a bases militares ucranianas na Crimeia deve ser levantado.

Enquanto o resultado oficial do referendo não é divulgado, o Ocidente aguarda as próximas ações de Moscou para optar ou não por ações de retaliação.

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