Exército dos EUA terá maior redução desde a Segunda Guerra

  • 25 fevereiro 2014
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O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, anunciou planos para reduzir o tamanho do exército do país a um nível não visto desde antes da Segunda Guerra Mundial.

Ao delinear seu plano de orçamento, o chefe do Pentágono propôs o corte do número de pessoal ativo do Exército de 520 mil para algo entre 440 mil e 450 mil.

Segundo o mesmo plano, serão removidos da frota do país as aeronaves as que operam desde os tempos de Guerra Fria, o que inclui o avião espião U-2 e o caça a jato A-10.

O professor da Universidade de Defesa Nacional, em Washington DC, Boris Saavedra afirma que "as mudanças continuarão nos próximos quatro ou cinco anos".

"A tendência geral é a de reduzir o tamanho do Exército, já que não há recursos para sustentar essas grandes estruturas."

O plano anunciado por Hagel, no entanto, exige a aprovação do Congresso.

'Desafio fiscal'

Os militares dos EUA estão sob pressão para reduzir seu tamanho depois de duas guerras caras no exterior.

"Este é um orçamento que reconhece a magnitude dos nossos desafios fiscais", disse Hagel.

Ele acrescentou: "Há decisões difíceis pela frente. Essa é a realidade que estamos vivendo."

Como os EUA se preparam para acabar com operações de combate no Afeganistão no final deste ano, já era esperada a redução do efetivo do Exército para 490 mil.

Hagel disse que o governo também recomendará o fechamento de algumas bases militares em solo americano, em 2017, embora essa proposta tenha sido rejeitada pelo Congresso nos últimos anos.

O chefe do Pentágono também revelou planos para mudanças nos salários e benefícios, tais como cortar subsídios de habitação, limitar aumentos salariais e aumentar o desconto do seguro de saúde.

'Poder inteligente'

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Soldados americanos no Iraque: ataques diretos estariam fora das ações militares do futuro

Para Saavedra, a proposta anunciada por Hagel, além de questões de orçamento, responde a uma realidade que prevalece no cenário geopolítico atual.

Após a Segunda Guerra Mundial, especificamente a partir do Tratado de Yalta, em fevereiro de 1945, que marcou o início da Guerra Fria, houve uma grande expansão das Forças Armadas dos EUA. "Isto terminou em 1989, com a queda do Muro de Berlim e o subsequente colapso da União Soviética."

"As capacidades militares já não são definidas pelos tamanhos dos efetivos. Lutar contra as principais ameaças que existem hoje a nível global - terrorismo, crime organizado, tráfico de drogas e terrorismo cibernético - não requer a implantação de grandes aparatos militares", diz Saavedra.

Para o professor, a doutrina militar que definiu EUA até a primeira Guerra do Golfo, "na década de 1990 do século passado" (implantação maciça de tropas, golpe direto ao inimigo etc.) já não faz muito sentido.

Hoje , explica ele, a tendência na maioria dos países é a migração para a democracia e o respeito aos direitos fundamentais, de modo que a resolução de conflitos pode se dar por meio do "poder inteligente": dissuasão e gestão diplomática, como ocorreu recentemente com a tensão gerada entre os EUA e Síria quanto ao uso aparente de armas químicas por parte do governo de Bashar Al Assad.

Guerras políticas

"As guerras são vencidas não militarmente, mas politicamente e recentes guerras no Iraque e no Afeganistão são prova disso ", diz Saavedra.

No entanto, a redução dos gastos militares pode muito bem gerar distúrbios no Congresso, que se prepara para as eleições legislativas em novembro.

A reação à proposta foi rápida. Alguns membros republicanos do Congresso alertaram que os cortes poderiam afetar a capacidade de ação militar do país.

"O mundo não está se tornando um lugar mais seguro. Não é a hora de começar a reduzir as nossas Forças Armadas", disse o deputado republicano Michael Turner à Bloomberg.

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