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Julgamento de Morsi é adiado

Atualizado em  16 de fevereiro, 2014 - 10:48 (Brasília) 13:48 GMT
Mohammed Morsi, presidente deposto do Egito | Crédito: AP

Primeiro presidente democraticamente eleito do Egito, Morsi foi deposto pelos militares em julho de 2013

Advogados de Mohammed Morsi abandonaram neste domingo a sessão de um tribunal em que o presidente deposto do Egito deveria enfrentar acusações de espionagem e conspiração para cometer atos de terrorismo.

De acordo com os promotores, ele e outros 35 homens colaboraram com grupos palestinos e libaneses para realizar ataques no país.

Uma nova audiência foi remarcada para o próximo domingo, 23 de fevereiro.

Os advogados de Morsi deixaram o tribunal em protesto ao confinamento do ex-presidente e dos outros réus em uma gaiola de vidro a prova de som.

Segundo as autoridades egípcias, o objetivo era impedir que o ex-líder gritasse e perturbasse os procedimentos da corte.

Os advogados afirmaram, no entanto, não ter condições de seguir adiante, ainda que o juiz tenha afirmado que caixas de som haviam sido instaladas para os réus acompanharem o julgamento.

A gaiola permite ao juiz controlar o áudio externo dos réus.

Em dado momento, segundo a agência de notícias Reuters, pôde-se ouvir Morsi dizendo: "Do que vocês estão com medo? Vocês tem medo de não ter apoio do povo?"

O tribunal afirmou que indicará uma nova equipe de defesa para os réus.

Julgamento

Primeiro presidente democraticamente eleito do Egito, Morsi foi deposto pelos militares em julho do ano passado após uma série de protestos que levou milhares de egípcios às ruas.

Desde então, a nova administração egípcia, que conta com o apoio das Forças Armadas, vem reprimindo a Irmandade Muçulmana, partido do qual Morsi faz parte, além de outros ativistas considerados hostis ao governo.

Como resultado, a Irmandade Muçulmana foi declarada uma organização terrorista e as autoridades vêm punindo qualquer demonstração pública de apoio ao partido.

Outras figuras de renome do grupo também tem enfrentando uma série de acusações, incluindo seu líder, Mohammed Badie , e seu vice, o ex-candidato à presidência do Egito Khairat al-Shater.

Pelo menos 1 mil pessoas morreram em confronto entre forças de segurança do governo e correligionários de Morsi desde sua deposição. Outras centenas também foram presas.

Tom desafiador

Morsi foi levado da prisão de Burj al-Arab para a academia de polícia da capital Cairo neste domingo de manhã. O trajeto foi feito de helicóptero.

Em seu último julgamento, Morsi foi acusado de colaborar com os grupos Hamas, da Palestina; Hezbollah, do Líbano e os guardas revolucionários do Irã.

Caso seja considerado culpado, ele pode ser condenado à prisão perpétua.

Morsi também aguarda as sentenças dos julgamentos de outros três casos. No primeiro deles, aberto em novembro, o ex-presidente egípcio é acusado de incitar a morte de manifestantes perto do palácio presidencial em 2012, quando ele ainda governava o país.

Em janeiro, outro julgamento foi iniciado envolvendo sua fuga de uma prisão em 2011, durante a qual policiais foram mortos.

Além disso, Morsi também está sendo acusado de insultar o Judiciário.

Seus correligionários dizem, porém, que ele e outros líderes da Irmandade Muçulmana são vítimas de perseguições políticas.

Em audiências anteriores da qual participou, Morsi adotou um tom desafiador. Ele recusou-se a reconhecer a legitimidade do tribunal e reiterou que ainda era o presidente eleito do país.

Durante uma delas, de dentro de uma gaiola de vidro, ele gritou: "Eu sou o presidente da República. Como eu posso mantido no lixo por tantas semanas?"

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