Político de 39 anos deve se tornar o mais jovem premiê da Itália

  • 14 fevereiro 2014
Matteo Renzi (Reuters)
Renzi é popular por suas propostas de renovação, mas tem pouca experiência

O prefeito de Florença, Matteo Renzi, de apenas 39 anos, está perto de se tornar o novo primeiro-ministro da Itália, país que discute a formação de um novo governo após a renúncia de Enrico Letta, atual premiê.

Letta, que estava sob crescente pressão por conta da má situação econômica da Itália, deixa o governo por decisão do próprio partido. O voto de confiança interno foi convocado por Renzi, que também é correligionário do partido Democrático (centro-esquerda), principal força política do país atualmente e agremiação dominante na coalizão de governo.

Carismático, de estilo informal e autodeclarado "extremamente ambicioso", Renzi foi eleito líder do partido em dezembro passado e nunca foi membro do Parlamento. Agora, com a queda de seu rival Letta, ele é tido como favorito para comandar a Itália.

Sua alta popularidade se deve em grande parte ao seu discurso pedindo a troca de todo o establishment político italiano - amplamente desacreditado pela população, por conta de denúncias de corrupção e ineficiência.

De um lado, a ascensão de Renzi é vista como uma ruptura com o passado e uma necessária renovação geracional na política italiana. De outro, ele é tido como totalmente inexperiente, justamente por ser novo no cenário político.

Além disso, sua ascensão - baseada no discurso de renovação - causa incômodo dentro da ala mais antiga do partido Democrático e de sua coalizão governista, que inclui elementos da centro-direita.

Ornella de Zordo, conselheira de oposição em Florença, argumenta que Renzi não tem cumprido suas promessas em seu breve governo na cidade. "Seu slogan é 'Dito, Feito'. Renzi é muito bom em comunicação, em fazer anúncios. Mas, se você olhar seu histórico, verá que a realidade é diferente", alega.

'Incerteza'

As consultas para a formação de um novo governo, convocadas pelo presidente Giorgio Napolitano, devem ser conduzidas com rapidez para que se chegue a uma "solução eficiente" até sábado, diz comunicado oficial.

Letta ficou apenas dez meses à frente do governo, após formar uma coalizão com a centro-direita em 2013. Sua permanência se tornou insustentável quando seu próprio partido começou pedir a formação de um novo governo, continuando o mandato da atual legislatura (que vai até 2018).

Renzi, por sua vez, argumenta que a troca de premiê tornou-se necessária para pôr fim à "incerteza" na Itália.

Ele acusou Letta de inação diante do mau desempenho econômico da Itália, da queda do padrão de vida de muitos italianos e da mais alta taxa de desemprego dos últimos 40 anos no país, bem como por não ter implementado reformas para reduzir a muitas vezes corrupta e custosa burocracia italiana.

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