Quebra de cessar-fogo ameaça envio de ajuda humanitária a Homs

  • 8 fevereiro 2014
crianças brincam entre escombros | Reuters
Cidade sitiada há um ano e meio, Homs sofre com falta de água e comida

Governo sírio e rebeldes se acusam mutuamente pela quebra do cessar-fogo na cidade sitiada de Homs, onde as Nações Unidas pretendiam entregar ajuda humanitária neste sábado.

Explosões foram ouvidas logo no início do dia e, em declarações à mídia estatal, o governador Talal al-Barazi acusou "grupos terrorista armados" pela violência.

Por sua vez, o grupo de oposição Observatório Sírio culpou as forças sob comando do presidente Bashar Al-Assad.

Diante da interrupção da trégua, ainda não está claro se o comboio da ONU com mantimentos, água e medicamentos para cerca de três mil civis receberá autorização para entrar na cidade, sob sítio há um ano e meio.

Na sexta-feira, o primeiro dia do cessar-fogo, mais de 80 crianças, mulheres e idosos foram evacuados de áreas controladas por rebeldes na cidade.

Muitos aparentavam fraqueza e contaram ter passado fome. Eles disseram que não há pão e que muitos estão comendo folhas e ervas daninhas para sobreviver.

Operação delicada

Autoridades encarregadas do envio de ajuda humanitária dizem que a operação é delicada por causa da falta de disposição do governo em permitir que os suprimentos sejam levados para áreas controladas pelos rebeldes.

O correspondente da BBC em Beirute Jim Muir disse que ainda não está claro se a quebra na trégua é um revés temporário ou uma ameaça real à realização da operação humanitária.

Se a ajuda chegar a Homs, o próximo passo será retirar mais um grupo de civis da cidade.

Durante a operação de evacuação na sexta, alguns civis mais vulneráveis tiveram de ser carregados por voluntários da Cruz Vermelha.

O repóter do serviço árabe da BBC Assaf Abboud disse que os civis receberam comida, água e passaram por exames médicos.

Eles disseram aos jornalistas que mais pessoas precisam de ajuda e querem sair da cidade.

Bombardeios diários

Homs tem sido uma zona de batalha chave no levante contra o presidente Assad.

No início de 2012, o Exército lançou uma série de ataques para tentar recuperar o controle de áreas importantes, causando a morte de milhares de pessoas e reduzindo bairros inteiros a escombros.

A situação em distritos sitiados desde junho 2012 foi um dos assuntos discutidos na conferência Genebra 2 na semana passada. Mas o acordo que possibilitou o cessar-fogo e a entrada de ajuda foi negociado entre o governador de Homs e o coordenador de operações humanitárias da ONU na Síria.

O governo sírio não está relacionando o acordo de Homs às negociações de paz em Genebra, mas a questão foi levanta pela primeira vez pelo enviado da ONU ao evento, Lakhdar Brahimi, afirma Muir.

Outra rodada de conversas começa na segunda-feira e o governo sírio confirmou que vai participar.