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As polêmicas e curiosidades dos Jogos de Inverno de Sochi

Atualizado em  7 de fevereiro, 2014 - 16:53 (Brasília) 18:53 GMT
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Sochi recebe para os Jogos de Inverno 3.500 atletas de 88 países

A Olimpíada de Inverno de Sochi, que começa nesta sexta-feira e segue até o dia 23, reunirá 3,5 mil atletas de 88 países no balneário do sul da Rússia, às margens do Mar Negro.

Trata-se da 22ª edição dos jogos, que reúnem modalidades praticamente desconhecidas no Brasil, praticados em países em que é a neve e as temperaturas abaixo de zero são comuns, como é o caso do hóquei sobre o gelo e o curling (esporte em que uma pedra de 20 kg desliza sobre uma pista de gelo rumo a um alvo).

Mesmo antes do início, os jogos, que tiveram um orçamento de cerca de US$ 50 bilhões – mais do que o estimado para a Copa 2014 e a Rio 2016 juntas –, estão sendo marcados por polêmicas. Entre eles estão a questão dos direitos dos homossexuais russos e a matança de cães vira-latas.

Curiosamente, a Olimpíada se realiza em uma cidade em que a média das mínimas temperaturas nunca fica abaixo de 4ºC. Temendo que faltasse neve durante o evento, os organizadores decidiram estocar toneladas dela.

A BBC preparou uma lista detalhando as principais polêmicas e curiosidades destes jogos. Confira:

Os Jogos de Putin

Magnata russo que fugiu para Londres denuncia corrupção em Sochi

Valery Morozov, magnata russo. Foto: BBC

Valery Morozov é um dos empresários a fazer graves denúncias de corrupção na Olimpíada de Inverno de Sochi.

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Formatos alternativos

Vestido como se fosse patinador artístico. Assim as revistas americana The New Yorker e inglesa The Economist escolheram retratar o presidente russo, Vladimir Putin, em suas respectivas capas nas últimas semanas.

Na ilustração da revista americana, Putin não é apenas o competidor, mas os cinco jurados de sua própria performance. Já a publicação britânica, que traz a manchete O triunfo de Vladimir Putin, mostra o presidente com os braços levantados em pose artística à frente de uma patinadora russa, caída após uma queda.

Putin se envolveu muito com o evento e sua preparação - desde fazer lobby no Comitê Olímpico Internacional, até inspecionar de perto canteiros de obras e testar as instalações desportivas.

"Sochi é o seu projeto pessoal, para mostrar a Rússia como uma grande potência mundial e ele próprio como um grande líder", explica Steve Rosenberg, correspondente da BBC em Moscou.

"Foi um grande projeto, a maior obra do mundo", disse Putin nesta semana.

Se você acha que ele exagera, deve saber que esses são os Jogos Olímpicos mais caros da história: os US$ 50 bilhões representam cerca de US$ 42 bilhões a mais do que o orçamento da edição anterior.

Foram construídas, entre outras coisas, mais de 300 quilômetros de novas estradas, 55 pontes, 22 túneis, 13 estações ferroviárias, cinco escolas e duas usinas térmicas.

Há suspeita de episódios de corrupção, com desvio de verbas destinadas às obras do evento. As autoridades negam as acusações.

A polêmica homossexual

"Aqui não há gays", disse à BBC o prefeito de Sochi, Anatoly Pakhomov. A polêmica em torno dos Jogos está presente desde o ano passado, quando a Rússia aprovou uma lei que condena a "propaganda homossexual".

Houve pedidos para boicotar o evento e campanhas para que os patrocinadores questionassem a legislação controversa.

Mais de um chefe de governo não vai participar da cerimônia de abertura.

Como um sinal de desafio, os EUA enviam em sua delegação integrantes abertamente gays.

Clique Leia também: Ofensiva russa contra os homossexuais

Jogos sob ameaça

Especialistas em segurança disseram que este são os Jogos mais perigosos de todos os tempos, publicou o jornal americano The New York Times.

A principal preocupação é a ameaça de ataques de insurgentes islâmicos da conturbada região do Norte do Cáucaso.

No final do ano passado, dois ataques em Volgogrado resultaram na morte de 34 pessoas e colocaram a Rússia em alerta.

Sochi é uma cidade em estado de atenção: não será possível entrar sem ingresso ou sem registro prévio. Haverá 40 mil funcionários na operação de segurança.

Mesmo tubos de creme dental em voos são preocupantes, alertaram o governo dos EUA, pois poderiam esconder explosivos usados em bombas.

Mas aqueles que mais sofreram até agora talvez tenham sido os cães vira-latas. Diante de denúncias que de animais teriam sido abatidos no processo de limpeza da cidade antes da abertura dos Jogos, o Comitê Olímpico Internacional declarou que somente cães doentes foram mortos e outros foram "levados sob custódia".

Construção, no estilo russo

Banheiro duplo não garante privacidade

A reportagem da BBC flagrou banheiros que não têm nenhuma privacidade

Apesar de tantos gastos e construções, na semana prévia ao início da competição Sochi deu sinais de que nem tudo estava pronto. Ir ao banheiro pode ser uma experiência curiosa e desconfortável.

O correspondente da BBC Steve Rosenberg encontrou um banheiro com duas privadas, sem qualquer separação que garantisse privacidade.

Outros jornalistas que começaram a chegar nesta semana a Sochi também experimentaram situações peculiares: uma recepção de um hotel sem piso, mas com o retrato Putin bem instalado, ou a orientação dada a uma repórter de não usar água da torneira em seu rosto porque contém "algo perigoso".

Clique Leia também: Os banheiros que desencadearam uma tempestade no Twitter

O que há para ver

A Olimpíada terá 98 medalhas de ouro em disputa, em provas de 15 esportes.

Uma das modalidades mais curiosas é o curling - um esporte ao estilo da bocha em que os participantes deslizam oito pedras de granito de 20 kg em uma pista de gelo de 45,5 metros.

As pedras vêm de uma ilha escocesa desabitada chamada Alisa Craig, fonte de uma microgranito especial.

Delegações:

EUA (230)

Rússia (225)

Canadá (221)

Brasil (13)

Outro esporte interessante é a corrida de trenó, em que homens e mulheres em trajes apertados arriscam suas vidas em um túnel de gelo a velocidades que podem chegar a 150 Km/h. São três modalidades chamadas de bobsleigh, skeleton e luge.

Quem se emocionou com o filme Jamaica Abaixo de Zero (1993) vai torcer pela equipe de trenó (bobsleigh) da Jamaica, cuja estreia nos Jogos de Calgary (1988) é o mote central do filme.

Para honrar a lenda, os jamaicanos chegaram à Rússia sem seus equipamentos. Eles competem a partir de 16 de fevereiro.

O esqui tem uma variedade de opções: esqui alpino (descida em trajeto sinuoso), esqui de fundo (espécie de maratona de esqui, com trechos de subidas, descidas e planos), esqui acrobático, estilo livre e saltos em esqui. Há também o snowboard.

A patinação pode ser artística, de velocidade e de velocidade em pista curta.

Você poderá vibrar ainda com o hóquei no gelo ou o biatlo, esporte que combina esqui de fundo e tiro ao alvo.

Os brasileiros no frio

Medalhistas históricos:

Noruega

EUA

União Soviética

Alemanha

Áustria

Apesar do calor predominante em todo o país, o Brasil tem 13 atletas competindo em sete modalidades, um recorde. A delegação pode parecer pequena, mas é maior que a de países de clima frio, como Dinamarca, Bélgica e Islândia.

A maior participação verde-amarela até então tinha sido em 2002, nos jogos de Salt Lake City (EUA) 2002, com dez atletas em quatro modalidades.

Jaqueline Mourão, que competirá no esqui de fundo e no biatlo, é a porta-bandeira do Brasil na abertura dos Jogos. Isadora Williams é a primeira brasileira a se classificar para a prova de patinação artística.

O Brasil também terá uma participação na delegação francesa. O patinador Florent Amodio, de 23 anos, nasceu em Sobral (Ceará), mas foi adotado por pais franceses ainda bebê.

A delegação brasileira em Sochi sofreu um revés com o trágico acidente sofrido por Lais Souza, ex-ginasta que disputaria a prova de esqui aéreo. Ele se acidentou durante treinamento em Salt Lake City e segue internada. Foi substituída por Josi Santos.

As estrelas

Shaun White

Shaun White, conhecido como "tomate voador"

Conhecido como "o tomate voador", o ruivo Shaun White (snowboarding, Estados Unidos) é uma das estrelas dos esportes de inverno. O californiano de 27 anos tem duas medalhas de ouro olímpicas e muitos milhões de dólares no banco.

Outros atletas de destaque são Ted Ligety (esqui alpino, EUA), Merit Bjoergen (esqui de fundo, Noruega), Gregor Schlierenzauer (salto de esqui, Áustria), Marcel Hirscher (esqui alpino, Áustria), Alex Ovechkin (hóquei no gelo, Rússia), Julia Mancuso (esqui alpino, EUA), Ole Einar Bjoerndalen (biatlo, Noruega), Patrick Chan (patinação artística, Canadá) e Sarah Takanashi (salto de esqui, Japão).

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