Rússia sobe o tom contra a oposição na Ucrânia

  • 3 fevereiro 2014
Barreira policial contra protestos na Ucrânia, nesta segunda-feira (Reuters)
Protestos continuam no país, em meio a uma disputa de influência de Ocidente e Rússia

A Rússia subiu o tom nesta segunda-feira contra os líderes da oposição na Ucrânia, instando-os a pôr fim a uma campanha de "ultimatos e ameaças" e a avançar nas negociações com o governo.

A Chancelaria da Rússia - país de forte influência sobre a Ucrânia - disse que o governo russo está preocupado com as tentativas dos ativistas ucranianos em "inflamar" a situação e afirmou que vai adiar o pagamento de uma parcela de um pacote de ajuda ao país.

Manifestantes em Kiev seguem pedindo a renúncia do presidente Viktor Yanukovych, que acaba de regressar de uma licença médica de quatro dias.

As manifestações se estendem desde novembro, quando Yanukovych recuou de um acordo com a União Europeia, em favor de uma aproximação econômica com Moscou.

Ocidente e Rússia têm travado um cabo de guerra pela influência sobre a Ucrânia.

Tanto que União Europeia e EUA estão avaliando conceder um grande empréstimo a Kiev, num momento em que o país altamente endividado.

"Estamos avaliando (formas) de apoiar a Ucrânia em tempos de crise, (na atual) situação econômica e política", disse nesta segunda-feira uma porta-voz de Catherine Ashton, chefe de política internacional da UE.

A contrapartida para o empréstimo seria que Kiev implementasse "reformas reais".

Crise

Em meio à disputa pela influência política, os protestos continuam. Milhares de pessoas participaram neste domingo de uma manifestação no centro de Kiev, e opositores pediram "ajuda internacional".

A Rússia reagiu dizendo esperar que "a oposição ucraniana evite ameaças e ultimatos e converse com as autoridades para encontrar uma saída constitucional para a profunda crise do país".

Com isso, Moscou anunciou que vai atrasar o pagamento da próxima parcela de um pacote de ajuda de UX$ 15 bilhões prometido à Ucrânia. Essa parcela será condicionada à formação de um novo governo ucraniano.

Em sua volta ao governo, Yanukovych terá como primeira missão nomear um novo primeiro-ministro, para substituir Mykola Azarov, que renunciou na seman passada.

Na terça-feira, o Parlamento ucraniano vai discutir a demanda por uma anistia mais ampla para pessoas detidas durante os protestos, além de pedidos para que o país retorne a uma Constituição prévia - que restrinja os poderes da Presidência.

Yanukovych têm anunciado concessões aos opositores, e diversos membros de seu gabinete pediram demissão.

Mas isso não aplacou os manifestantes, muitos dos quais anseiam por uma aproximação maior da Ucrânia com a UE, em vez da Rússia.